O efeito do calor e da baixa umidade para a agricultura
Sexta, 07 de Fevereiro de 2014

O assunto dos últimos dias no Rio Grande do Sul é o calor que assola todas as regiões. Tem feito calor acima de 37 graus e em muitos locais, além dos 40 graus. Junto com as altas temperaturas vêm os efeitos adversos para as plantas e para os animais. A imprensa noticia os blecautes da energia elétrica e a mortandade de frangos Rio Grande a fora. Noticia também a perda de hortaliças, dificultando o suprimento do mercado e tirando um ganho dos horticultores. A queda na produção de leite, o atraso da semeadura das culturas de safrinha e outros efeitos adversos inerentes ao calor inquietam os agricultores.

Para esta época a questão não é só a temperatura que se eleva, mas a umidade que baixa (principalmente a Umidade do Ar) e a radiação solar que é intensa. Estes três elementos climáticos: temperatura, Umidade do Ar (UR) e radiação solar estão trazendo um desconforto, gerando angústia entre as pessoas pelos efeitos que causam.

Pois bem! Para os animais em geral a temperatura ótima para seu conforto está entre 18 e 26 graus. A maioria dos animais dentro desta faixa de temperatura se alimenta adequadamente e o metabolismo corporal se processa de modo satisfatório. Nas criações de animais confinados o controle de temperatura é uma preocupação e são adotados mecanismos para elevá-la ou baixá-la de acordo com a necessidade. Os demais elementos como a radiação solar e a UR tem influência, porém suportáveis quando alterados. Altas temperaturas para os bovinos de leite traz desconforto interferindo na alimentação e no metabolismo causando redução drástica na produção de leite. Notamos que nos dias de altas temperaturas os animais buscam os locais de sombras, se alimentam menos, tomam mais água e se locomovem pouco. Aí vem as técnicas da implantação de bosques ou árvores para sombra nas pastagens, disponibilização de água nos piquetes, implantação de áreas de pastagens próximas da sala de ordenha, pastejo nas horas frescas do dia, especialmente à noite. A disponibilização de água na quantidade de 60 a 120 litros/animal/dia é fundamental para o bom metabolismo de uma vaca leiteira. Como já é sabido, um animal pode ficar sem comer por algum tempo, mas sem água não. Logo, a água deve estar disponível em local próximo e de fácil acesso.

Para os vegetais os três elementos climáticos são importantes, pois estes não conseguem fugir do local quando as situações estão adversas. A fixação no solo pelas raízes forçou as espécies a se adaptarem em determinados locais criando mecanismos para suportar as adversidades. Mas isso ocorreu durante milênios. No entanto, o homem para tornar mais atrativos manipulou os vegetais cultivando-os em ambientes diversos. As plantas de lavoura, em ambiente adverso, suportam limites o que força os agricultores a adotarem práticas para que as raízes explorem um bom volume de solo retirando a água e os nutrientes suprindo as necessidades e, quando possível, adotar a irrigação. No caso das hortaliças é possível a manipulação do ambiente através do cultivo protegido reduzindo a ação dos ventos e da radiação solar em excesso, com isso reduz a temperatura, porém deve-se disponibilizar água e nutrientes conforme a necessidade.

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