O trigo que nos oferece o pão de cada dia
Sexta, 08 de Novembro de 2013

Estamos no período de colheita do trigo. Um dos cereais mais cultivados no mundo e que tem o fim principal de ser a matéria prima para o pão que é a alimentação base da humanidade. Até poucos dias se confundia com pastagens e outra vegetação de cobertura de solo. Agora não: pinta de amarelo-ouro as coxilhas do sul do Brasil. O trigo tem uma importância histórica para nós, pois foi uma cultura que movimentou e projetou o Rio Grande do Sul entre as décadas de 1950 e 1970 a ponto da maioria das cooperativas agrícolas levarem no nome o termo tritícola; Cooperativa Tritícola de Frederico Westphalen (Cotrifred) referência a este cereal produzido em abundância aqui. Hoje o trigo perdeu espaço para outras culturas em função de vários fatores, entre os quais a falta de incentivo e política governamental para o setor. Mesmo assim, ainda se cultiva no Brasil ao redor de 2,5 milhões de hectares de trigo. No entanto, a produção é insatisfatória para abastecer o mercado nacional. Para abastecer o consumo de trigo no Brasil são necessárias ao redor de 11 milhões de toneladas deste cereal e a produção nossa dá conta de menos de 5 milhões de toneladas. Portanto, o país precisa importar mais de 6 milhões de toneladas dos Estados Unidos, Canadá, Comunidade Econômica Europeia e Rússia. O Rio Grande do Sul responde por 54,6% da produção de trigo do País, com 2,6 milhões de toneladas, seguido do Paraná, que é responsável por 36% da produção, com 1,7 milhão de toneladas. Para aumentar a produção é necessário incentivo do governo federal, adotando uma política de estímulo para a pesquisa que venha a fazer frente para problemas de adaptação das cultivares às condições nosso e de mercado. Aqui, o solo tem muito alumínio e chove muito, acima do indicado para a cultura. O alumínio em excesso no solo acarreta em problemas nutricionais para a planta e o excesso de chuva provoca as doenças. Dois problemas que fazem cair a qualidade que os agricultores conhecem como “específico” ou “PH”. Por falar nisso: o que é o “específico”? Esse termo é empregado para designar a qualidade dos cereais no caso aqui do trigo. Refere-se ao Peso Hectolítrico. É a massa (peso) de 100 litros (hectolitro) de grãos. Na prática é conhecido como PH (não confundir com pH - índice de acidez). O PH pode ser correlacionado com o peso específico, que é a massa de mil litros de grãos. Assim, um lote de grãos com PH = 75 kg/100 litros, tem um peso específico de 750 kg/1000 l = 750 kg/m³. O peso hectolítrico tem várias aplicações práticas: para comercialização de certos produtos, como o trigo, sendo que o preço mínimo deste é fixado para um PH = 78, com 13% de umidade. Se o PH for maior, haverá acréscimo (ágio) no preço; se menor, haverá deságio. Portanto, se as condições nutricionais para a planta ou ambientais (umidade e chuvas) não forem adequadas, o PH do trigo ficará abaixo de 78 e com isso a remuneração do agricultor não será satisfatória, o que lhe desestimula para o cultivo e daí a importação de outros países é a alternativa.

Comentários