Agroindústrias familiares
Sexta, 21 de Fevereiro de 2014

Um assunto recorrente que merece ser comentado é o das agroindústrias familiares. Um ramo de atividade que está inserido na agricultura familiar. Neste ano que é comemorado o Ano Internacional da Agricultura Familiar vale lembrar a significância do tema. A ONU, através da FAO, presta esta homenagem a este segmento da agricultura pela importância que representa para a humanidade. Pela soberania alimentar, pelo modo de ser dos agricultores que trabalham nas propriedades, pela criatividade imposta nos pequenos espaços para tirar o sustento da família e ainda comercializar produtos de qualidade e diversificado. Pois bem! A transformação da matéria-prima em produtos elaborados nas pequenas agroindústrias vem tomando espaço e abrindo oportunidade para ocupação de mão de obra e agregação de valor aos produtos da propriedade. As políticas públicas do Governo Federal, do Governo Estadual e dos municípios de incentivo às agroindústrias familiares está tomando corpo e encorajando inúmeros empreendedores. A legislação está mais flexível e o mercado está ávido por produtos diferenciados. Aliás! Há alguns anos o problema era encontrar mercado para os produtos elaborados nas agroindústrias. Hoje, a demanda é tanta que as agroindústrias têm dificuldades em produzir para atender o mercado. É difícil que uma agroindústria fique com produto “encalhado”. Um bom sinal! Sinal que os gargalos do mercado vêm sendo sanados. Sinal que os consumidores prestigiam estes produtos pela qualidade, pela identidade, por várias características que só é possível atribuir quando se põem mais mão do que máquina. 

Volto ao assunto da produção da matéria-prima para suprir a agroindústria. Se a agroindústria é familiar significa que a família está envolvida em produzir a maior parte da matéria-prima envolvida na transformação (agroindústria) e na comercialização. Três etapas importantes e complexas. O agricultor domina bem estas três etapas, mas em muitas unidades começa a faltar “perna e fôlego”. Logo, começam a surgir as soluções através de associações e de cooperativas que aos poucos dão suporte para uma ou mais etapas da cadeia agroindustrial. Um modelo que deve aos poucos fortalecer o setor. Várias entidades estão empenhadas em apoiar e implantar este modelo. Um exemplo típico é a produção de ovos coloniais. Há um grande mercado para este produto. Contudo é necessária a inspeção sanitária para a colocação no mercado. A estrutura, embora simples, se viabiliza a partir de uma certa escala de produção que é alcançada por várias famílias. Assim, cada família terá a sua produção e a estrutura de inspeção (agroindústria) será coletiva.

Outro modelo é a produção associada. Há uma agroindústria que não consegue produzir toda a matéria-prima. Logo, pode absorver a produção de outras propriedades oportunizando renda a mais famílias. O que se observa é que as soluções estão surgindo conforme as necessidades se apresentam. Assim, as agroindústrias familiares estão prosperando e mais famílias se encorajam para a atividade e a população tem oportunidade de acesso a produtos diferenciados.

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