A mulher e as transformações na agricultura
Sexta, 07 de Março de 2014

Amanhã, 8, é comemorado o Dia Internacional da Mulher. A data lembra os 157 anos em que operárias de uma fábrica de tecidos, na cidade de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. As fábricas na época exigiam 16 horas de trabalho diário, e as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem para executar a mesma tarefa. Imaginem! Muitas tomavam conta das lidas da casa, dos filhos e do marido e, ainda, trabalhavam fora de casa. Cansaram! Se rebelaram! Ocuparam a fábrica e reivindicaram melhores condições de trabalho. A manifestação foi reprimida com grande violência e aproximadamente 130 delas morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.

Em 1910, durante uma conferência internacional, ficou decidido que o dia 8 de março passaria a ser o “Dia Internacional da Mulher”, em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857 e, em 1975, a data foi oficializada pela ONU.

Na verdade as mulheres sempre foram guerreiras. Sempre foram fortes. As considero o “esteio” da família. Todos os dias merecem homenagem. Zelam pelos filhos, pelo marido e ainda, cuidam da casa, trabalham duro em casa ou fora. No meio rural são elas que zelam pelas receitas caseiras, pela horta, pelo jardim, pelas miudezas que dão suporte para a subsistência da família. Elas “seguram as pontas” quando há dificuldades, quando há conflitos, quando há desânimo nas frustrações de safra, quando há preços baixos e etc. Na maioria das propriedades elas opinam decisivamente para os investimentos, plantações, criações e outros direcionamentos das atividades. Conheço muitas propriedades rurais que redirecionaram atividades e ocupações pela ousadia da mãe, da mulher e lograram êxito. O 6º sentido que é fraco no homem é aflorado na mulher: o sentimento, o coração. Anteveem oportunidades ou perigos. Lançam alertas para ousar ou precaver resultados. 

Quero homenagear todas as mulheres que contribuíram e aquelas que vêm marcando a agricultura referenciando duas que marcaram a história da agricultura: Drª Maria Irene Baggio de Moraes Fernandes e Drª Ana Maria Primavesi. Tive a honra de ser aluno de mestrado da Drª Maria Irene. Professora, pesquisadora por mais de 30 anos da Embrapa Trigo em Passo Fundo, liderou equipe e, em 1992 introduziu a técnica da cultura de anteras (órgão da flor) em trigo onde permitiu acelerar, simplificar e tornar mais eficiente o processo de obtenção de novas cultivares. E, nesta semana a Embrapa anunciou uma nova cultivar de trigo que ultrapassa os cem sacos de produtividade em um hectare. Certamente a contribuição desta grande mulher está presente. Drª Ana Primavesi, professora da UFSM por mais de 30 anos. Foi uma das pioneiras na preservação do solo e recuperação de áreas degradadas, abordando o manejo do solo de maneira integrada com o meio ambiente através da adubação orgânica, da adubação verde, controle biológico entre outras contribuições. Temos o plantio direto estabelecido a ponto de as gerações jovens não conhecerem solo revolvido em lavouras. Uma grande transformação na agricultura com a contribuição das mulheres. Parabéns a todas as mulheres!

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