O espetáculo da mecanização agrícola
Sexta, 14 de Março de 2014

Outra safra de grãos começa a ser colhida. Para algumas regiões, euforia pela produtividade plena, mas para outras há o lamento das perdas pela estiagem. Os preços do arroz e do milho estão defasados e da soja estão compensadores, embora haja angústia de queda. Não bastasse a estiagem e a eterna lei de mercado que regula os preços agrícolas, está aumentando o número de agricultores, produtores de grãos que tem problemas com a falta de mão de obra. Este problema está bem agravado nas pequenas propriedades e também nas médias e grandes vem causando inquietação.

Uma das saídas para a falta de mão de obra é a mecanização e a automação. O setor de máquinas e equipamentos está aquecido e as condições são favoráveis para os agricultores renovarem ou ampliarem a frota. As revendas estão próximas dos agricultores e fazem um ótimo trabalho de marketing e formação de opinião. Há empenho para mostrar e indicar os modelos e suas vantagens, inclusive os programas de governo para aquisição. Nas feiras agropecuárias o show sempre é o das máquinas e dos equipamentos. 

Conversei há poucos dias com um médio produtor de Fortaleza dos Valos que cultiva pouco mais de 500 hectares de área com soja e cereais de inverno. Toca a lavoura com seu filho e, nas épocas de maior serviço contrata mais dois ajudantes. Queixava-se ele que a colheita da soja se aproximava e não estava encontrando ajudantes para contratar. Estava decidido a renovar a frota de máquinas e equipamentos para modelos mais potentes e modernos prevendo tocar as operações, daqui para frente, com menos gente. Já ia para a Expodireto decidido a negociar máquinas novas. E assim acontece com outros agricultores. Por isso as máquinas dão show nas exposições. Os agricultores buscam aí formar opinião e estabelecer negócios satisfazendo suas necessidades. As empresas atentas a estas necessidades apresentam as soluções.

Estão disponíveis no mercado máquinas e equipamentos cada vez mais produtivos e de fácil manuseio. Embora alguns modelos não comportem em todas as propriedades, hoje as tecnologias do conforto e da eficiência se destacam. Temos tratores que efetuam a subsolagem de 0,8 a 0,9 hectares/hora onde com máquinas mais antigas usava-se até 4 horas para um hectare. Plantadeiras/semeadeiras que distribuem a semente em mais de 80 hectares/dia onde há pouco tempo era necessário dois – três dias. Colheitadeiras que colhem 80 tipos diferentes de produtos trocando apenas algumas peças, mecanismos e dispositivos. Colheitadeiras que colhem cinco hectares/hora, portanto ultrapassando 40 hectares em um dia de trabalho. São alguns exemplos da eficiência das máquinas e equipamentos que operam as lavouras Brasil afora. Já falei aqui da produtividade das lavouras e das criações que hoje se alcança. Há estudos publicados que com apenas 250 hectares de área se produzem alimentos para suprir uma população de 3,6 mil pessoas (não obtive informações por quanto tempo). É o espetáculo da mecanização agrícola onde o homem sempre busca uma solução para suas necessidades.

Comentários