O conhecimento para a agricultura
Sexta, 21 de Março de 2014

Cada vez fico mais impressionado com a quantia de conhecimento disponível para a agricultura. Conhecimento nas áreas da produção, da transformação, ambiental, mercadológica, sociológica, gestão entre outras. Salta aos olhos e, por isso está em evidência, o conhecimento focado na produção porque ali a indústria e o comércio sabe tirar proveito no que o agricultor historicamente melhor vem se dedicando: produção. Então o conhecimento nesta área está disponível na tecnologia das máquinas, dos equipamentos, dos insumos, das sementes, da genética, das rações, dos medicamentos, do manejo e, assim vai. Há eficiente marketing e interesse comercial porque se vende conforto, facilidade, eficiência e esperança de rentabilidade e há receptividade do agricultor. 

Está evidente a transformação no campo pelos melhores índices de produção. Contudo, paira a angústia da falta da mão de obra, da dificuldade da perpetuação e da sucessão familiar e, em muitos casos, da falta de rentabilidade das atividades e a demora do desenvolvimento da propriedade a partir das atividades rurais. E isto é compreensível, pois se aplica considerável quantia de energia na produção e pouca nas demais áreas do conhecimento.

Considerando que as pessoas possuem as mesmas necessidades básicas, mas têm individualidades e habilidades diferentes não é justo que todos os membros de uma família se submetam as ocupações somente na produção. O trabalho em atividade que não é do gosto da pessoa é claro que a desmotiva e consequentemente não lhe impulsiona para aplicar esforço suficiente para ter sucesso. Talvez seja esse o componente que continua esvaziando o meio rural. Contudo, se há o desejo de continuar no meio rural, mas não na produção, podem-se adotar outras ocupações como, por exemplo, a transformação através da agroindústria que, aliás, está tendo excelente êxito na região.

Para aqueles que gostam da produção pode-se alcançar melhores resultados quando se domina os fatores ambientais sobre a produção, tanto aqueles que são regulados pela legislação quanto os climatológicos e de inter-relação biótica e abiótica. Atenção e foco também no mercado (oferta de produtos e insumos, preços, estoques, produtos similares, legislação e etc.). O componente sociológico é de suma importância, sobretudo no que diz respeito ao associativismo para resolver situações comuns. Resumindo: necessidade de uma especialização na gestão. Portanto, aproveitemos as universidades locais e as instituições de assistência técnica e extensão rural para buscar conhecimento além da produção.

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