O bombardeio das pragas na agricultura
Sexta, 11 de Abril de 2014

Assistimos na agricultura a permanente guerra contra as pragas. Um descuido na formação das lavouras ou no manejo dos animais e elas se apresentam. O poder de destruição aumenta se as condições ambientais lhes são favoráveis. Causam prejuízos de bilhões mundo afora. Só no Brasil nos últimos 10 anos a ferrugem asiática (doença em soja provocada por um fungo) causou um prejuízo de 25 bilhões de dólares e, na safra de 2012/13 causou a perda de 40 milhões de sacas de soja. Ao analisarmos as pragas no ramo animal, estudos mostram que uma infestação com uma média de 40 carrapatos por bovino, causa perda na produção de US$ 40/animal. No Brasil, só o carrapato causa prejuízos estimados em 1 bilhão de dólares/ano e, no mundo, esses valores alcançam, anualmente, a cifra de 7 bilhões de dólares. Estes exemplos ilustram o poder que as pragas têm de limitar as culturas ou as criações. 

Embora o termo praga no cotidiano se refira aos animais ou aos insetos, para a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura – FAO é “qualquer espécie, raça ou biótipo de vegetais, animais ou agentes patogênicos, nocivos aos vegetais ou produtos vegetais”. Portanto, o conceito é amplo entre os quais citamos: animais (roedores, pássaros, ácaros, insetos, moluscos, animais, peixes...); causadoras de doenças em vegetais (fungos, bactérias, vírus, nematoides, protozoários...), vegetais invasores (ervas, cipós, arbustos e árvores). 

Fiz este blá, blá, blá para dizer que tecnicamente há inúmeros métodos de controlar as pragas. Os Engenheiros Agrônomos, Médicos Veterinários e outros profissionais das Ciências Agrárias estudam 5 anos (pelo menos) para compreender minimamente as relações das pragas com seus hospedeiros no ambiente. Há uma complexidade de fatores que se inter-relacionam exigindo estudos avançados para níveis de pós-graduação como o mestrado, o doutorado e ainda há fatores que não são explicados necessitando de pesquisa em rede para desvendar os mistérios desta área. Cada organismo, espécie ou biótipo tem uma bioquímica ou comportamento. Assim, há um ou vários métodos de controle que são eficazes para cada praga e situação. E há inúmeros organismos que causam doenças que não há controle específico ainda.

Contudo temos o controle: mecânico, biológico, genético, legislativo, químico, físico, cultural, integrado entre outros. Então, por que o controle das pragas é feito praticamente só por agrotóxicos ampliando o potencial poluidor e correndo o risco de intoxicação humana? Primeiro porque é mais prático; segundo porque há um forte aparato de marketing sobre os produtos. Salienta-se que hoje há produtos agrotóxicos menos perigosos ao ser humano e ao ambiente do que antigamente. O fato é que não temos tempo para prestar atenção aos sinais da natureza que nos rodeia e aplicamos sempre os mesmos métodos de controle não importando muito a situação. Logo, as pragas que seguem o ritmo da natureza nos atacam sem piedade num verdadeiro “bombardeio” continuando a causar sérios prejuízos a agricultura ou a pecuária.

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