A piscicultura regional
Sexta, 25 de Abril de 2014

Passada a Semana Santa, em que tradicionalmente se consome mais pescado, o peixe sai da preferência do consumidor. A maioria dos supermercados continua a ofertar o produto na forma de postas, filés, peixe congelado entre outras formas, mas o consumo não deslancha. As feiras que se realizam nos municípios vêm incentivando a população a incorporar o peixe no cardápio. No entanto, pela longa periodicidade e passado aquele “festival” o produto cai no esquecimento. Até em nível de piscicultor não são todos que possuem peixe disponível o ano todo. O que fazer então para que a cadeia da piscicultura deslanche na região?

Avalio que passos importantes vêm sendo dados a nível mais amplo. Cito como fundamentais: a criação do Ministério da Pesca e Aquicultura, que objetiva cuidar das políticas públicas para este setor a nível nacional; a criação da Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo aqui no Rio Grande do Sul, que visa apoiar a atividade em nível de Estado; a criação de Programas específicos para a piscicultura em muitos municípios da região; a disponibilização de disciplinas que tratam da aquicultura nos cursos da área das Ciências Agrárias da maioria das universidades, visando a formação acadêmica mais focada no assunto; a instituição de linhas de pesquisa e de extensão sobre piscicultura em muitas universidades, visando a busca de respostas aos gargalos da atividade.

Embora importantes, estas ações estão sendo insuficientes para que a atividade se constitua em cadeia organizada para gerar economia na região. Nomeio alguns gargalos que vêm dificultando o avanço da atividade: a falta de perenidade das águas da maioria dos reservatórios, pois embora tenham tanques e açudes na maioria das propriedades nem todas possuem água “segura” transpassando períodos de estiagens; pequena escala de produção na maioria das propriedades, pois predominam reservatórios e tanques também pequenos que embora apropriados para a criação de subsistência não motivam a criação comercial; processo de licenciamento ambiental complexo e restritivo tanto para a construção de reservatórios para a piscicultura quanto para o povoamento de espécies de grande aceitação no mercado; oscilação da temperatura nas diferentes estações do ano interferindo no desenvolvimento dos peixes exigindo maior atenção no manejo por parte do piscicultor; falta de hábito da população em incorporar o peixe no cardápio semanal aumentando o consumo, que por sua vez, exigirá o aumento da produção. Alguns desses gargalos há tempo vêm sendo trabalhados por lideranças e instituições, porém a complexidade do assunto leva a lentidão desanimando alguns piscicultores.

O caminho é intensificar as discussões para aumentar a massa crítica em favor do assunto, vislumbrando um cenário de possibilidades onde esta atividade passe a ser importante e reflita positivamente na economia regional.

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