A produção animal em destaque
Sexta, 16 de Maio de 2014

A região do Médio Alto Uruguai do Rio Grande do Sul tem uma estrutura fundiária basicamente de pequenas propriedades com área média de 16 hectares, relevo declivoso, muitas áreas agricultadas em solos rasos e, na maioria das vezes, espremidas entre fragmentos de matas, estradas e aguadas. Essas características impõem permanente esforço aos agricultores para que empreendam atividades que lhes viabilizem em pequenos espaços. Aliar gosto pela atividade com a aptidão edafoclimática (solo e clima) é tarefa difícil, mas tem dado resultado positivo em inúmeras propriedades.

Nesta região as atividades de lavouras de grãos ainda predominam, mas não significam que agregam valor para todas as propriedades que as adotam. Dependendo das variáveis da escala de produção, produtividade, preço de venda, custo de produção, entre outras, pode se medir a viabilidade ou não. Há propriedades que cultivando ao redor de 54 hectares de milho retiram renda para sustentar sua família, outras, em condições mais desfavoráveis, necessitam acima de 70 hectares de cultivo (monocultura). Em condições semelhantes se encontram as propriedades que adotam a soja como cultura principal. Já para a atividade da fruticultura (uva) com 4 hectares é gerada renda suficiente para satisfazer uma família de 4 pessoas. Na atividade leiteira são necessários 13.000 litros/mês ordenhando-se 25 vacas/dia que ocuparão ao redor de 6 hectares. Assim, as propriedades vêm se definindo e imprimindo um perfil diversificado para a região.

Chamo a atenção para a agregação de valor e para a movimentação financeira que as atividades animais imprimem nos municípios. Especial atenção para os suínos e para as aves que por serem confinadas necessitam pequenos espaços para a criação e, geram grande valor agregado, embora exijam área adequada para a aplicação dos dejetos. Cito o caso de Frederico Westphalen, onde a primeira vista, as atividades de grãos (soja e milho) dominam a paisagem, mas é o suíno que traz a maior movimentação financeira para o município gerando 3 vezes mais dinheiro que o frango, que está em segundo lugar, que gera quase 1,5 vezes mais que o milho onde este se equivale ao leite e, este está acima do soja. Portanto, o perfil agrícola de Frederico Westphalen quanto a movimentação financeira é da produção animal (suínos, aves e leite) ficando para trás os grãos, embora na paisagem ocupem a maior área. Esta leitura baliza os investimentos das empresas e do serviço público para tomada de decisão em favor das atividades, onde os agricultores investem. A produção animal faz a diferença nos municípios que tem uma estrutura fundiária de pequenas propriedades. Muitas administrações há tempo se deram conta disso e vem apoiando os agricultores com reflexos positivos na economia local.

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