Chuvas que causaram prejuízos aos agricultores
Sexta, 04 de Julho de 2014

Quando vai parar esta chuva! Chega de chuva! Já choveu mais de 200 milímetros lá em casa! Estes eram os comentários mais frequentes nestes sete dias de chuva que passamos. Foi tanta chuva que verteu água até onde não se imaginava. Há registros de 450 mm de chuva. Significa que em 1 metro quadrado caiu 450 litros de água. Ou ainda, em 7 dias choveu o equivalente a 3,5 meses. E, em municípios vizinhos, há registros que choveu mais. 

Os transtornos foram nas cidades e no interior. Chuvas ditas normais são benéficas e desejadas, mas quando ocorrem fora do esperado causam prejuízos. Foi o caso.

A produção de leite diminuiu na maioria das propriedades devido à dificuldade do manejo do rebanho e também no fornecimento da alimentação. Poucos agricultores têm estrutura para situações extremas. Muitos perderam até mesmo as silagens porque verteu água dentro dos silos ou estes foram inundados. A maioria das propriedades possui pastagens cultivadas como aveia e azevém, porém o pastejo ficou dificultado pelo desconforto da chuva ou porque o agricultor preferiu evitar a destruição do pasto pelo pisoteio. Poucos têm silagens bem abrigadas e guardam forragens através da fenação. Estes, do ponto de vista da alimentação estavam mais confortáveis. Porém, não é só isto. O lamaçal ao redor dos galpões foi inevitável. Algumas propriedades precisaram medicar animais com problemas de cascos. Animais com as patas em local úmido por vários dias podem apresentar infecções nos cascos. Foi o que ocorreu em algumas propriedades. Animal debilitado tem produção comprometida.

Perdas também ocorreram nas lavouras de cereais de inverno como o trigo e a aveia. Houve erosão na maioria das áreas, mesmo aquelas com cultura estabelecidas. Além de danificar a lavoura a erosão também trouxe prejuízos financeiros pelo arraste dos insumos e sementes. Soma-se a isso, o trabalho e a frustração da produção que se previa. Contudo observou-se que quanto mais declivosa a área, maior foi o dano. Quanto mais protegido o solo, menor foi o impacto. 

Vale aqui dizer que os trabalhos de conservação e proteção dos solos devem ser permanentes mesmo que as propriedades sejam pequenas e as áreas diminutas. É nessas horas imprevistas que são sentidos os reflexos negativos do uso de áreas inadequadas ou da adoção insuficiente dos princípios e técnicas de conservação do solo.

Houve perdas significativas também dos hortigranjeiros, sobretudo os produzidos a céu aberto. Contudo, as hortaliças folhosas, que são as mais sensíveis, são produzidas basicamente em ambiente protegido. Mas as perdas, nestas áreas, ocorreram pelo estiolamento e pelas doenças provocadas pela alta umidade do ar.

Por tudo o que ocorreu, em toda parte e setores, mostra que ainda não estamos preparados para eventos adversos e extremos. Precisamos nos preparar melhor!

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