O desperdício das oportunidades
Sexta, 22 de Novembro de 2013

A reflexão que se impõe no momento é a necessidade de termos uma visão empreendedora sobre as atividades rurais. Olhar a natureza, a ciência e a tecnologia por um ângulo da possibilidade e do otimismo. Refletir sobre as nossas capacidades, sobretudo da criatividade e da utilização do que há disponível para a aplicabilidade no setor produtivo. Trata-se de nos despojarmos dos conceitos pré-formados e dos medos do fracasso. Termos hábitos da busca do que há de melhor nas nossas atividades produtivas tendo esperança do sucesso. Somar as nossas experiências exitosas com a tecnologia disponível. Acreditar que nosso esforço aliado a melhor técnica vai dar certo. 

Escrevo isso porque vejo nas andanças pelo interior que os agricultores se esforçam e dão o máximo de si, aplicando tudo o que adquiriram pela experiência. Muitos aplicam as técnicas que conseguem assimilar ou que acham possíveis, mas não o suficiente para fazer a diferença. Percebe-se que se gasta pouco tempo com os técnicos. Poucos marcam hora com os técnicos e planejam suas atividades. Se for para tratar de problemas da saúde brigamos por horários, planos de cobertura e exigimos o melhor profissional. Podemos até aguardar a consulta por semanas ou meses. Mas, para tratarmos das nossas atividades profissionais com os técnicos gratuitos que temos a disposição (Emater/RS-Ascar, cooperativas, prefeituras, empresas, universidades) temos pressa. E mais! Temos pressa no atendimento e queremos que ele dê a solução mágica.

Ficamos admirados com a produtividade que alguns alcançam na atividade leiteira, suinícola, avícola, lavoura de grãos e assim por diante. Muitas vezes atribuímos o sucesso destes a facilidade do crédito, a sorte, o capital histórico que acumulam, as relações privilegiadas com empresas que concedem apoios para unidades demonstrativas e coisa e tal. Poucos compreendem que os esforços que se despendem para contornar os fatores inerentes a atividade fazem o sucesso.

Chamo a atenção para a necessidade de criarmos demandas para os técnicos disponíveis na região. Temos disponibilidade de técnicos em todos os municípios. Precisamos usufruir dos conhecimentos destes. Precisamos planejar as atividades com o conhecimento destes somados com a nossa experiência. Ainda temos problemas fáceis de solucionar com uma boa conversa. Com uma boa orientação. Com baixo custo financeiro.

Como exemplo, cito que temos problemas com a nutrição de plantas, que podem ser solucionados com a técnica da análise de solo. Temos problemas fitossanitários, que podem ser diminuídos com um conjunto de práticas entre as quais o uso de variedades resistentes e nutrição equilibrada. Na produção animal, temos problemas de nutrição, de manejo, de genética e assim por diante. Salvam-se a integração porque há uma forte conectividade entre as partes. Por que não ser assim nas demais atividades? Muitos estão desperdiçando as oportunidades disponíveis. Vamos atentar para isso. Vamos valorizar os técnicos que estão a disposição.

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