Efeito negativo das chuvas intensas
Sexta, 18 de Julho de 2014

Passado algumas semanas das chuvas intensas que assolaram a região, começa a ser melhor visualizado os efeitos negativos causados. Vou me referir apenas na região de pequenas propriedades que é por onde os efeitos devastadores se fazem sentir com maior preocupação. As propriedades são pequenas, recortadas por estradas, por sangas, por cercas e cordões arbóreos, na maioria de topografia declivosa e solos rasos. Os agricultores são forçados a aproveitar ao máximo as áreas disponíveis, tanto para a criação de gado quanto para a agricultura. Situação típica da agricultura familiar.

Pois bem! Neste cenário, há décadas que os órgãos de assistência técnica auxiliam os agricultores para trabalhos de conservação do solo com diversas técnicas como o cultivo mínimo, o plantio direto, a rotação de culturas, o terraceamento, o cordão vegetado entre outras. Muitas palestras foram realizadas, folders distribuídos, Tardes de Campo e outros meios de disseminação de técnicas e de conhecimento para minimizar os efeitos danosos das chuvas intensas sobre estas áreas com restrições de uso são disponibilizados. 

Muito se fala sobre as exigências ambientais do uso correto dos solos e das áreas, restringindo aquelas com topografia acentuada e próximas de cursos d´água. Tudo o que há de técnicas disponíveis são para a preservação ambiental, que inclui o solo, prevendo os piores cenários impostos pelos fenômenos naturais. Já é de consenso, pela observação histórica e pela repetição de fatos, que fenômenos adversos ocorrerão. E, ocorreu! Chuvas intensas ocorreram em 1983. Outras enchentes e enxurradas menores ocorrem frequentemente. Mas de grande magnitude ocorreu há 31 anos. Esquecemos facilmente o passado. Ainda mais com a pressão da mídia e do marketing sobre os agricultores para o acesso aos confortos do trabalho com máquinas, equipamentos, sementes e insumos, sobretudo para o cultivo de grãos. Cultivo esses que necessitam de escala para buscar maior lucratividade. Logo, avança-se sobre áreas com restrições de uso ou se negligencia as técnicas de conservação de solo contando que eventos adversos não ocorram. Jeitinho brasileiro! Mas, como dizem os antigos: o que é da água ela busca. Pobres agricultores! Lá se foram os fertilizantes, as sementes, as pastagens, parte das silagens. Grande parte do solo das áreas declivosas foi embora. Tem encostas que parecem que foram arranhadas. Visualizam-se facilmente os sulcos provocadas pela erosão. Solo que não volta mais para aquele local. Fará falta! Terá que ser substituído com solo de outra parte. Terá que ser revestida novamente aquela área erodida. Lá vão horas de máquinas, tempo e novamente esperança de boas safras.

Precisamos intensificar a discussão sobre o uso dos solos obedecendo a sua aptidão. Há vasto conhecimento disponível nesta área. Não precisamos reinventar a roda. Precisamos praticar e não negligenciar os fenômenos naturais. Eles ocorrem periodicamente. Portanto! Não foi a última enchente, nem a última enxurrada. Haverão outras. Vamos nos precaver.

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