O que cultivar na próxima safra?
Sexta, 01 de Agosto de 2014

Novamente a angústia se abate sobre os agricultores. Muitos já decidiram o que empreender na próxima safra. Outros ainda não. Mesmo os que já têm decisão estão inquietos porque precisam determinar os investimentos: quanto investir? Qual o tamanho da área a ser cultivada? Cultivar mais soja ou milho? Cultivar feijão? Sempre é assim. Tenho recebido inúmeros agricultores nos últimos dias para trocar ideias. A cada notícia da perspectiva da safra norte-americana e dos mercados mundiais, há um “reboliço” na cabeça do empreendedor agrícola. Continuo afirmando de que o maior insumo é o conhecimento e a informação. Informações sobre gestão e economia. As contas devem ser efetuadas a todo o momento. A técnica de implantação, condução, colheita e armazenamento da safra é obrigação e, a informação sobre os mercados econômicos e a gestão da propriedade é que farão a diferença para a rentabilidade.

As informações sobre uma supersafra nos Estados Unidos é fato. A área de soja plantada foi 11% superior que a passada e pelo clima favorável que está ocorrendo por lá indicam que haverá recorde histórico de produção, estimando-se 103,4 milhões de toneladas. Igualmente tudo indica que aqui haverá condições climáticas satisfatórias para a implantação das lavouras e, aumento de área no Brasil, na Argentina e no Paraguai. Além disso, os estoques nos Estados Unidos, que eram de pouco menos de 4 milhões de toneladas, passarão para mais de 11 milhões de toneladas. Logo, assistimos nos últimos quatro meses uma queda de mais de R$10,00 por saco no preço da soja. E mais! Se a taxa de câmbio continuar e, se a produção prevista se confirmar, é possível que o preço médio do saco de soja estará ao redor de R$45,00 para a próxima safra.

Quanto ao milho, no momento estamos vivenciando uma ótima safrinha no Centro-Oeste e Norte do Paraná. Esta condição, somada com a perspectiva da supersafra norte-americana, que deverá ultrapassar 353 milhões de toneladas e, também com a elevação dos estoques mundiais, o preço caiu 36% em julho. No entanto, os analistas focam para os preços futuros do milho pela ótica dos mercados da carne suína e da carne de frango, uma vez que ao redor de 70% da produção tem destino para alimentação destes animais. Mesmo com uma estimativa de redução de área plantada de 6% aqui no Brasil, a tecnologia disponível e a perspectiva das condições climáticas favoráveis, a produtividade será elevada para mais de 8% (5.605 kg/ha). Assim, a análise do preço futuro para o milho é complexa e no momento é temeroso qualquer palpite.

Certo, porém, é que o agricultor precisa reduzir custos e aumentar a produtividade para ter lucratividade, tanto da cultura da soja quanto a do milho. Aí, tanto uma cultura como a outra poderá ser lucrativa. 

Comentários