A queima de tecnologias agropecuárias
Sexta, 15 de Agosto de 2014

Hoje quero abordar um tema que tem causado polêmica para alguns segmentos da sociedade e alternativa econômica para outros. Falo dos transgênicos. Transgênico é um ser vivo que recebeu um gene de outra espécie, que pode ser animal ou vegetal. Transgenia é a técnica de transferir o gene de uma espécie a outra. Tudo começou em 1865 com Mendel estudando ervilhas e tomando impulso na década de 1970 com a manipulação do código genético. Surgiu daí a engenharia genética. A partir de 1980 surgiram os primeiros estudos da transgenia em animais de produção (suínos, coelhos, ovinos, bovinos, caprinos, aves e peixes) e, em 1983 foi desenvolvida a primeira planta transgênica.

Em 1995 foi criada no Brasil a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança- CNTBio, com a finalidade de ajudar o governo a cuidar do assunto e, em 1998 foi liberada a soja transgênica resistente ao herbicida glifosate. Estima-se que a área de soja transgênica no Brasil seja acima de 90% hoje. Em 2007 foi a vez do milho Bt., resistente à lagarta e hoje estima-se que a área de milho transgênico seja acima de 80%. Além dessas culturas temos transgenia no algodão, canola, arroz, batata e tomate. Estima-se que haja mais de 60 culturas em estudos que poderão entrar no mercado logo, logo. Além da resistência a pragas, herbicidas e doenças, as plantas transgênicas são melhoradas para aumentar o valor nutricional com ênfase para as vitaminas, os minerais, os pigmentos e as proteínas.

Pois bem! Digo com segurança, por ter formação no assunto, que do ponto de vista do uso de agrotóxicos, as plantas transgênicas necessitam muitíssimo menos venenos do que as convencionais, quando obedecidas as regras de sua implantação. 

Por que temos plantas invasoras da soja (buva) resistentes ao glifosate? Porque não obedecemos a regra da rotação de culturas e de variedades, alternando variedades convencionais e transgênicas. 

Outro exemplo: o milho Bt que é resistente a lagarta do cartucho (uma das principais pragas da cultura) deve ser plantado preservando faixas ou áreas de milho convencional para garantir a reprodução desta praga. Se não for observado esta técnica qual seria o problema? A praga resistiria a planta transgênica e voltava a ser praga. O que está acontecendo? Pouca gente deu importância e a praga voltou com força.

Qual é o problema? O problema é que somos imediatistas e subestimamos a ciência e, com o nosso jeitinho burlamos as recomendações com a justificativa da praticidade. Ainda não temos o hábito de estudarmos o assunto ou de “gastar” um tempo com um técnico especializado para planejarmos a atividade. Com isso, estamos “queimando” tecnologias que custaram milhões e poderiam ser duradouras. A nossa pouca atenção e pressa está onerando a lavoura e continuamos a usar mais agrotóxicos quando poderíamos usar menos, que é o propósito destas duas culturas transgênicas.

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