Contrastes no preparo do solo
Sexta, 29 de Agosto de 2014

O verde da paisagem de um mês atrás começa a contrastar com tons de cinza avermelhados do solo cultivado e, do amarelo-palha do plantio direto nas coxilhas e encostas da região. A paisagem mais se parece com uma colcha de retalhos que se alterna pelo veludo da palha que recebe a semente no plantio direto, com o chão liso e nu do cultivo tradicional. 

Não faz muito tempo que manifestei nesta coluna, a satisfação em ver as áreas cobertas de palha e, de culturas de proteção de solo, indicando o cuidado que a região tinha na conservação do solo. Também chamei a atenção sobre os estragos que as chuvaradas causaram nas lavouras desprotegidas, sem curvas de nível, sem adoção de práticas conservacionistas. Por outro lado, ficaram evidentes que onde foram adotadas medidas de proteção do solo os estragos foram insignificantes.

Pois bem! Percebe-se que ainda há inúmeras propriedades que adotam práticas inadequadas, típicas do cultivo tradicional. É gritante a quantia de áreas descobertas onde o solo foi mexido (lavrado ou gradeado) para o plantio. E, o mais grave, a maioria das áreas é de encostas e, por isso, muito sujeitas à erosão. Não aprendemos a lição! Isso que a lição da natureza foi recente. Pode haver abundância de argumentos para tais práticas, mas o solo nu somente, não se justifica. Por que não usar o terraceamento? Por que não usar o cultivo mínimo? Ah! Mas as operações agrícolas são dificultadas! Ah! Não tive tempo, não tinha equipamentos, não sabia, não .....! Repito: temos 4 universidades (e por sinal nesta semana ocorreu um excelente trabalho do PET – UFSM/CESNORS sobre manejo do solo), temos escritórios da Emater em todos os municípios, temos técnicos nas Secretarias Municipais da Agricultura, temos técnicos nas empresas e, consultores do SEBRAE e, do SENAR que estão a disposição para orientação técnica.

No próximo trimestre há indicativos de chuvas acima da média. Não está descartado altas precipitações. Estas podem provocar perdas significativas de solo e, consequentemente dos insumos, onerando os cultivos nas áreas desprotegidas. Também, há indicativos de que os preços dos produtos (grãos) poderão ser menores do que os da última safra. Logo, a rentabilidade poderá ser baixa se não tomarmos cuidado. Temos que ganhar adotando medidas conjuntas e duradouras. Cuidar do solo é o mínimo. E para isso, estamos fartos de técnicas. Então! Por que não adotá-las?

Exemplos positivos são aqueles que se esforçam e não subestimam a natureza, mas tiram dela lições e, se fortalecem usando de técnicas e de habilidades para trabalhar o solo na propriedade que conquistou. Respeitam os limites. Valorizam as técnicas melhorando o chão para as gerações futuras. Não ignoram os avanços tecnológicos que trazem conforto e rentabilidade. Contrastam com o velho e ultrapassado! Vamos fazer o novo preservando as práticas consagradas!

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