Pecuária de corte na pequena propriedade
Sexta, 05 de Setembro de 2014

Quando se fala em pecuária de corte, logo vem à mente as regiões de campos do Sul ou das áreas extensivas do Centro-oeste do país. A referência é dos rebanhos numerosos campo afora estampando a homogeneidade da pelagem que caracteriza as raças definidas daquela região. Na maioria da propaganda sobre pecuária de corte aparecem as grandes propriedades com suas mangueiras, estábulos, grandes áreas de pastagens, picapes levando insumos e outras coisas mais. Parece que gado de corte só existe e é viável na grande propriedade. Mas não é bem assim!

Há tempo que os agricultores familiares, através de suas organizações, pleitearam políticas públicas para a pecuária de corte conduzida na pequena propriedade. Tem relevância sim esta atividade nas propriedades de agricultura familiar. Estima-se que 40% dos terneiros para terminação são oriundos das pequenas propriedades. É notório nos pequenos municípios que a maioria da carne bovina consumida vem das pequenas propriedades. Sem falar na carne consumida na propriedade, a chamada produção para o autoconsumo.

Pois bem! Na região do Médio Alto Uruguai do Rio Grande do Sul a atividade pecuária avança, sobretudo o gado de corte. Muitas propriedades há tempo têm esta atividade como a principal. Outras, que adotam a atividade leiteira avançam efetuando cruzamentos com raças de carne prevendo um destino lucrativo para o machinho que nasce. Há também propriedades que não tendo tanta força de trabalho convertem as áreas para pastagens lotando de gado para corte. São as alternativas que os agricultores adotam para obter renda do chão que conquistaram.

Pensando bem, se uma propriedade adotar somente a atividade de gado de corte para suprir a renda, é necessária a comercialização de aproximadamente 175 cabeças/ano. Para isto serão necessárias ao redor de 52 hectares de área de pastagens melhorada seja ela cultivada ou nativa. Falo aqui do sistema de terminação com lotes homogêneos a pasto. Quem tem esta área? Poucos! No entanto, na composição das atividades, a maioria das propriedades tem gado de corte. Algumas cabeças! Embora com cruzamentos não muito adequadas ou típicas para carne. 

A comercialização de gado para corte nas pequenas propriedades é tida como um desaperto. Há a atividade leiteira e engorda-se o machinho que vai para o freezer ou para a venda. Típico é criar algumas cabeças para o consumo e o excedente vender. Contudo, pode-se compor a atividade de uma forma planejada e ter renda complementar. Basta adotar raças típicas para carne já que o tempo e o serviço de criar é o mesmo. Não precisa ser uma raça do tipo Wagyu, cuja carne pode chegar a R$1.000,00 ao quilo como mostrou na Expointer. Há inúmeras raças adequadas para o nosso lugar e muito bem aceitas no mercado. 

Comentários