Ainda sobre a pecuária de corte na região
Sexta, 12 de Setembro de 2014

Eu imaginava que precisávamos melhorar a qualidade da carne bovina que vai para a mesa na região e, isto ficou evidente após abordagem de especialista no assunto nesta semana em Frederico Westphalen. É certo que não é a atividade principal da maioria das propriedades e, em se tratando de região de minifúndio onde há uma diversificação de atividades cria-se o que é mais rústico e barato. Neste quesito temos gado bom! Bom em rusticidade, pois as áreas que sobram para a boiada, na maioria das propriedades são as encostas e as áreas de solo impróprio para atividades anuais. Então, o pouco que sai destas áreas passa a ser lucro. Também é verdade que temos propriedades que tem a pecuária de corte como atividade principal e, nessas há mais profissionalismo, com raças adequadas para carne, embora não sejam as recomendadas pelos especialistas em paladar.

Nas oficinas do Marcelo “Bolinha”, realizadas na Expofred 2014 ficou evidente que um bom corte de carne sai quando o boi é bom. Boi terminado (gordo) e com aptidão para carne. O sabor e a maciez são dados pelo marmoreio, que é a gordura entremeada na carne. E, segundo os especialistas, esta gordura é mais saudável do que a definida e acumulada. Essa característica é conferida por algumas raças originarias da Inglaterra e que se alastraram pela Europa e depois mundo afora. São originárias do Bos taurus, uma espécie que há quase um milhão de anos vem sendo apurada pela natureza ou pelos humanos. Por isso é mais dócil, mansa e muito adaptada a região Sul por ser parecida com a Europa.

Na região cria-se muito gado de raças zebuínas por serem mais rústicas, resistentes aos carrapatos e bernes e, serem mais bravias, qualidade desejável para evitar o abigeato. Os zebuínos são originários da espécie Bos indicus da África e Índia. Nessas regiões quentes, cresceram se defendendo dos animais selvagens. Incorporou nos genes um comportamento grupal e agressivo sendo capaz de “estourar” em disparada ou enfrentar com os chifres diante da ameaça. Ao identificarem que o ambiente não lhes oferece perigo são dóceis, sendo capazes de manejo fácil. Portanto, de origem de regiões quentes, não precisou incorporar gordura entremeada à carne para suportar o frio como os parentes do norte da Europa. A gordura ficou mais definida e acumulada fora da carne. Por isso, a carne é menos suculenta e mais firme.

Qual a aptidão da carne zebuína então? Indústria, onde a carne é processada e oferecida na forma de embutidos, enlatados e conservas. Destino nobre também. Então! Para onde vai a carne do gado da região? Para a mesa da região através de cortes e não processada, porque aqui não têm frigoríficos. Tem demanda e nosso paladar e poder aquisitivo ainda aceita esse tipo de carne. É carne boa, mas quando colocada lado a lado com a do gado de origem europeia a diferença se faz sentir. Portanto! A saída é aperfeiçoar os cruzamentos para dar carne boa de paladar se não nosso gado poderá ficar com mercado restrito.

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