A falta da nossa ponte sobre o rio Uruguai
Sexta, 26 de Setembro de 2014

A interrupção da passagem sobre a ponte do rio Uruguai em Iraí descortinou a fragilidade da região em relação ao Estado e ao país. Uma região que está esquecida pelos investimentos em estruturas sendo o transporte o mais fragilizado. Ressentimo-nos dos investimentos nas ligações domésticas já faz tempo e, anestesiados, nos acostumamos com isso. A ferida foi aberta profundamente e, “sangrando”, foi mostrada para o Brasil quando o balanço da ponte chamou a atenção de um transeunte que atento registrou a anormalidade. Precisou um cidadão “comum” para dar o alerta. Comum porque não é do sistema encarregado de zelar pelas estruturas de passagem, mas sim um pagador de impostos que cumprindo a função de cidadão disparou o alerta. A fragilidade do transporte já não é mais só doméstica, mas mais ampla afetando esta parte do Estado com o Brasil.

Não se imaginava que a fragilidade era tão grande. Afetou profundamente o agronegócio onerando os serviços daqueles que precisam ganhar o pão nas atividades dos transportes e também dos que têm trabalho além daqui. Como somos dependentes de uma única passagem neste canto do Brasil! Depois de Iraí a próxima passagem é no Goio-En (Chapecó/SC – Nonoai/RS) há aproximadamente 80 km ou, a 90 km em Itapiranga/SC, se quisermos travessia por balsa potente. Além do aumento da distância, o caminho é dificultado pela falta de asfalto quando o destino é para os redores de Frederico Westphalen. 

A barulheira dos caminhões incomodava os ouvidos, mas divertia as crianças que, nas brincadeiras, contavam os que passavam carregados de máquinas agrícolas, tanques transportando leite, óleo comestível, óleo combustível, caminhões transportando insumos agrícolas, sementes, corretivos, grãos ou derivados de carnes. O movimento aquecia os serviços de apoio ao longo da estrada como postos de combustíveis, restaurantes, seção de peças, mecânicas, borracharias e etc.

Como encorajar os investimentos na região se dependemos de uma ponte para ligar esta parte do Rio Grande com o resto do país? E olha que ainda temos empresários corajosos que investem aqui. Porque os governos olham pouco para cá? Será que é porque temos tão somente 200.000 pessoas vivendo nos pouco mais de 40 municípios desta região? Será que não podemos pleitear a construção de, pelo menos, mais duas pontes sobre o rio Uruguai na região? E, olha que já tivemos aeroporto regional.

O ruim é que nos acostumamos com a paisagem e os cenários fragilizados achando que isto é o normal. O dia a dia na fragilidade tolhe a capacidade de ver o novo e o possível. Aí fortalecemos a incapacidade de mudança achando que ela só acontece se alguém vem de fora e milagrosamente muda o cenário. Vamos mudar esta realidade.

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