Camaro ou opala?
Sexta, 13 de Fevereiro de 2015

- Olha pai, um CAMARO antigo!!!
Minha filha Júlia disse espantada ao passarmos por um Opala Comodoro ano 78 eu acho...
- Não é um CAMARO filha, é um Opala, respondi.
- Opala?
Que confusão não é. Mudou tudo muito rápido. Que mudança nos últimos anos. As coisas mudaram de um jeito espantoso. Uma geração que não conhece outras músicas a não ser sertanejo. Não que não goste, mas está dominando o mercado. Não conhece Paralamas do Sucesso, Engenheiros do Havaí, Nenhum de Nós. Imagina se perguntar sobre Bossa Nova, Samba, etc...
Uma geração em que parece que o celular nasceu junto ao corpo. È contagiante. Pega mesmo. WhatsApp, Skype, Facebook. Não raras vezes vemos pessoas caminhando mexendo no celular, onde de vez em quando olham para frente.
Estes dias no shopping em Porto Alegre, vi pai e filha na mesa de um restaurante e no tempo que permanecemos no local, os dois não conversaram, e quando chegou o lanche, davam uma mordida e uma mexida no celular. Incrível. Acho que tem gente que ao tomar banho, coloca seu aparelho dentro de um plástico para não molhar.
Que rapidez nas mudanças. Conversando com o avô de minha esposa, querido Valdemar Sarmento, ficamos espantados de como eram as coisas há pouco tempo. Dizia-me das dificuldades para esquentar uma mamadeira, usando uma brasa para acender o fogo. Hoje, temos micro-ondas e ainda reclamamos de levantar. Queremos uma agua gelada é só abrir a geladeira e pronto.
As mudanças tecnológicas e de hábitos são importantes, mas estão engolindo as conversas, as brincadeiras. Nunca mais vi crianças brincando de “sapata” ou “amarelinha”. Agora é tablete, vídeogame. 
Quero aqui apenas trazer a tona que as novas gerações estão sendo bombardeadas de “avanços” que irão norteá-las para o resto de suas vidas. E nós, de gerações anteriores, estamos adorando, pois gostamos da tecnologia, pois ela substitui nosso abraço, nosso beijo.
Muitas vezes as telinhas da tevê e do computador entram em nossa vida real, trazendo uma falsa sensação de realização. Saímos do mundo real para o virtual e esquecemos que o virtual não resolve nossos problemas.
Espero que consigamos conciliar a tecnologia com a sapiência. A realidade com a ficção. Que saibamos que não podemos deixar que a máquina substitua o afeto. Que não esqueçamos que a geração do Opala ou do CAMARO, do Roberto Carlos ou Luan Santana ou ainda, do fogão a lenha ou micro-ondas, são pessoas carentes de respeito, carinho e amor. E não funcionam bem sem um grande abraço carinhoso.
Até semana que vem!   

Comentários