Deixe-me imaginar um coelho!
Sexta, 26 de Junho de 2015

Se vamos a um circo e o mágico aparece com uma cartola virada, logo um lindo coelho vai aparecer. Todos batem palma e ficamos surpresos de não saber como surgiu. Mas tínhamos a certeza que sairia um coelho.

Mas no caso da Polícia Militar parece ser diferente. Não imaginamos que sairá um coelho. Imaginamos que vai surgir um elefante, um burro ou até um leão. Menos um coelho. Se tivermos dúvida, imaginamos o pior, o diferente. Até o inimaginável!

Tudo que envolve a Polícia Militar, na dúvida, imaginamos o pior. Não podemos imaginar um coelho, mesmo que seja um coelho que sairá da cartola. Mas não podemos. O Jornal Nacional da última segunda feira mostrou que no caso Amarildo não poderá sair coelho. Pode sair qualquer coisa, menos coelho.

Por que tanta ênfase contra a polícia? Nunca vi uma reportagem em horário nobre, sobre a ação de bandidos contra a polícia.

Na madrugada deste sábado (20), morreu a policial militar Drielle Lasnor de Moraes, que foi baleada na cabeça durante uma perseguição em Realengo, na Zona Oeste do Rio, no dia 25 de maio. Não lembro de tanto destaque sobre isso.

Não lembro de reconstituições de crimes em que não envolvam policiais como acusados. Não quero aqui dizer que não existam bandidos na polícia. Sei que infelizmente sim. E bandido é tudo igual, seja na polícia, seja na política, seja em qualquer lugar.

Mas quero dizer que podemos imaginar que sairá um coelho da cartola. Deixam a gente acreditar, e que até provem ao contrário, os policiais são honestos. Coloquem em horário nobre ações de bandidos contra a polícia. E tem bastante. No último sábado, em Dois Lajeados, RS, uma quadrilha arrombou os caixas eletrônicos de um banco e atirou de fuzil e metralhadora contra um PM que estava de serviço na cidade. Por sorte e habilidade, conseguiu sobreviver. 

Você sabia que segundo a Folha de São Paulo, morre um policial militar ou civil no Brasil a cada 32 horas? Você sabia que em média morre um policial militar por mês no Rio Grande do Sul? Ninguém sabe. 

Nós só podemos imaginar que se há dúvida, há culpa dos policiais. Se houve confronto, a culpa é da polícia. Que tristeza isso. Querem incutir na nossa mente, que na cartola nunca poderá sair um coelho. 

Divulguem, critiquem e noticiem no dia com maior audiência, depois que não saiu um coelho da cartola. Mas enquanto há possibilidade de sair um coelho, aguardemos. Respeitemos um pouco nossa categoria que age na defesa de uma sociedade desprotegida não só de segurança, mas de regras e ética. Uma sociedade que clama por homens de bons princípios e incorruptíveis.

Imaginemos um coelho. Até terminar o espetáculo.

Até semana que vem!

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