O carimbador maluco!
Sexta, 14 de Agosto de 2015

Esta semana está difícil de escrever minha coluna. Mesmo com as dificuldades do Estado em pagar nossos salários. Mesmo com os nossos problemas diários. Retumbam ainda os cinco gols levados no Grenal. Mesmo que o Grêmio esteja há quase 15 anos sem ganhar títulos (exceção o Gauchão) e nós acostumados a várias conquistas recentes, nós conseguimos façanhas extraordinárias: Mazembe, Chapecoense, Tigres... Goleada no clássico. Lembra-me minha coluna que escrevi em 14 de junho de 2013, em que tinha o título: “O Carimbador Maluco” e que me lembrou a sequência 5, 4, 3, 2 ,1...):
5... 4... 3... 2...1...
- Parem! Esperem aí.
Onde é que vocês pensam que vão?
Plunct Plact Zum!!!
Não vai a lugar nenhum!!
Plunct Plact Zum!!!
Não vai a lugar nenhum!!
Tem que ser selado, registrado, carimbado
Avaliado, rotulado se quiser voar!
Se quiser voar...
E assim vai. Para quem não conhece, um trecho da música “O Carimbador Maluco”, de Raul Seixas. Sim. Acreditem. Raul Seixas. Ou não?
Minha filha disse que esta música é do Patati e Patatá! Sim. Aonde vão? Que viagem maluca esta? Que geração é esta? Onde estamos?
Estes dias coloquei Ultraje a Rigor e Paralamas do Sucesso no carro e minha filha disse: - Que música é essa pai? Tira. Coloca aquela: “Louquinha... Dá uma baixadinha”...
As coisas estão mudando rápido demais. Nossas gerações caminhavam. Esta voa. E ainda, não valorizam o passado. Se verem um disco de vinil, talvez pensem que é um disco voador. Sei lá. Agora é “Not”, “Face”, “tablet”, 4D....!!! Gente. Tem que ser “selado, registrado, avaliado, rotulado se quiser voar...”. Mas onde estão os carimbadores malucos?
Novelas despejando conceitos, valores, hábitos... Tudo “goela abaixo”... E tem que achar normal. Não pode questionar. Não pode falar. Não pode ousar a dizer chega.
Conceitos “ao inverso”. Cada novela mostra uma profissão e todas com algo em comum: fazer tudo que está errado. Nada sobra. Meses mostrando e ensinando como enganar, corromper, desviar, matar, agredir, gritar... E assim vai.
Nossa geração “viaja pelo universo”. Raul diz na música: Vai já pro seu foguete viajar pelo universo. É preciso meu carimbo dando o sim, sim, sim!!!”. Não tem mais carimbo. Não tem mais regras. Tudo se pode. Tudo se quer. Tudo podemos. Não precisa saber nada. Não precisa de carimbo.
Curtimos no “Face” as ações das pessoas que amamos. De nossos amigos. De nossos colegas. Mas não damos um beijo, um abraço, um elogio. Mas curtimos. Não sei para onde vamos. Não sei o que queremos. Mas está indo tudo muito rápido. Muito frio. Muito seco.
Concluímos opiniões a respeito de fatos e assuntos que nem sequer temos a mínima noção da realidade. Voamos. De novo a música: “Pra Lua: a taxa é alta. Pro Sol: Identidade”. Identidade não. Revista não. Plunct Plact Zum.
É meus amigos. Resta-nos ainda acreditar que “O carimbador Maluco” estará presente. E que cantemos aos que estão vindo:
“Mas ora, vejam só, já estou gostando de vocês. Aventura como essa eu nunca experimentei! O que eu queria mesmo era ir com vocês. Mas já que eu não posso:
Boa viagem, até outra vez”.
Até semana que vem.

Comentários