O processo histórico da abolição da escravatura no Brasil 1
Sexta, 21 de Novembro de 2014

Estimados leitores, o mês de novembro é o mês em que os brasileiros como um todo e a comunidade negra em especial comemora o fim do sistema escravista. O mês serve também para homenagear um dos grandes líderes da luta pela emancipação dos afro-descendentes, o Zumbi, líder Maximo do Quilombo dos Palmares, símbolo da resistência negra pelo fim da escravidão no Brasil, assassinado em 20 de novembro de 1695. Dado o significado histórico e importância do assunto, será tratado em algumas colunas deste jornal para conhecimento e reflexão do prezado leitor.

Mas antes é importante lembrar que a escravidão, também conhecida como escravismo ou escravatura, foi a forma de relação social de produção adotada, de uma forma geral, no Brasil desde o período colonial até o final do Império, sendo marcada principalmente pela exploração da mão-de-obra de negros trazidos da África e transformados em escravos no Brasil pelos europeus colonizadores do país. Foi a forma encontrada para solucionar a falta de mão de obra para a lavoura, inicialmente destinada para a produção canavieira, na primeira metade do século XVI. No inicio os africanos eram desembarcados principalmente nos portos de Rio de Janeiro, Bahia, Recife e São Luís do Maranhão.

No caso do comércio destinado ao mercado brasileiro participaram, entre outros comerciantes, portugueses, brasileiros e mais tarde holandeses que traziam os negros africanos de suas colônias na África, sendo vendidos aqui como se fossem mercadorias. O transporte era feito da África para o Brasil nos porões dos navios denominados de negreiros em que eram amontoados, em condições desumanas, e nesta trajetória muitos morriam antes de chegar sendo que os corpos eram lançados ao mar.

Nas fazendas  de cana ou nas minas de ouro, os escravos eram tratados da pior forma possível, trabalhando de quatorze a dezesseis horas. Esta situação aliada aos castigos, os trapos de roupas que recebiam e uma alimentação de péssima qualidade, motivaram o inicio das fugas. É de salientar que eles passavam as noites nas senzalas acorrentados para evitar fugas. Estas torturas físicas e psicológicas tinham um propósito único: destruir os valores do negro e forçá-lo a aceitar a ideia da superioridade da raça branca.

Por mais violentas que fossem as ações dos senhores, os torturados nada podiam fazer. A lei número 4 de 10 de junho de 1835 proibia os escravos de causar qualquer tipo de ofensa ou agressão ao patrão e aos companheiros que com ele moravam, punindo-os com açoites ou, na maioria dos casos, com a pena de morte. Esta lei só seria parcialmente revogada em 1886 pela lei número 3.310 de 15 de outubro de 1886, dois anos antes da abolição da escravatura, quanto à imposição da pena de açoites. 

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