O Sono dos Justos!
Sexta, 12 de Dezembro de 2014

De que forma será a passagem? Nem imagino, por tudo o que já vi, poderá ser de forma completamente igual, ou diversa, por que não sabemos ao certo quando, nem como iremos..

Esta semana nos deixou Meu Pai, um cara tranquilo, observador, e com uma sabedoria que completava a de Minha Mãe. Ele escutava e pessoas que sabem escutar são raras.

Assim como era raro seu silêncio, um silêncio que aprendeu com seu Pai Nono Ângelo e com a Nona Rosa, praticado como poucos, o olhar da serenidade, mas não o da aceitação passiva, o de saber relevar, mas não o de se anular, o que devemos aprender é saber como escutar.

Meu Pai deixa muitas lições, perseverança e fé inabaláveis, quando tudo então era sertão, ele já sinalizava o caminho junto com os amigos.

Deixa-nos mais pobres, sem aquele que estava lá na praça, na banca, seu escritório, onde procurava ao seu modo muito peculiar levar informação, colorindo os pontos bons de nossa cidade e região. Nunca deixou de estender a mão, nem de propagar sua fé, inquebrantável, isso para nós, sua gente é motivo de muito orgulho. Sabia como poucos perceber, muito observador, levava as histórias vividas através do cromo do tempo, em muitos formatos, quando a comunidade propunha algo novo, nunca deixou de ajudar, foram tantos os exemplos que aprendi com ele a observar, mas não calar. 

Deixar de contribuir por ficar inerte não fazia parte de seu comportamento, foi um dos líderes de seu tempo, de uma forma toda sua. Um amigo disse que existem pessoas que fazem fortuna, pois bem, sua fortuna são os amigos que procurou fazer e manter durante toda sua vida. Da simples forma, onde o simples é o mais importante, sem título douto, sem flashes de colunas, mas com o caminhar sereno, e confiante, a história de sua vida pode ser contada de muitas formas, do ponto de vista de um forasteiro que chega á cidade e busca informações, do cliente que vira amigo, quando num dia qualquer durante a conversa, percebe que aquele é uma pessoa diferente, honesto e probo além da conta, quitou contas que não suas, quando o comportamento social pregava o contrário, estendeu a mão livremente, quando a regra das vantagens confrontava, sabia diferenciar alhos de bugalhos e, principalmente homens de ideias, princípios de opções, cores de teores. Ainda bem que estive por perto neste tempo todo, entrando em veredas nem sempre livres de espinhos, mas veredas. Não nas amplas avenidas asfaltadas e iluminadas, mas nas ruas de pedra irregular, levava no olhar o encanto de criança.

“A Melhor definição veio da candura do Davi, seu neto “O Vovô Virou uma Estrela” e tenho certeza que seu Irmão Gabriel acrescentará:” Não uma estrela qualquer!”

Entre tantos abraços, olhares, choro sentido, teve uma coisa dita por muitos (centenas) “Parabéns pelo Pai que tiveste!”

Pai, obrigado por mostrar o caminho, sem impor, apenas com teu olhar sereno. Repousa em Paz!

Comentários