Você que escreve Cartas! Ouvindo Jason Mraz - 93 Million Miles
Quinta, 30 de Abril de 2015

Da Curva, quando tudo isso não era líquido, saudade líquida, instantaneidade líquida, paixão líquida? Num ir e vir que imita ondas a quebrar na beira da praia, no balanço das cadeiras do gingado brasileiro, nessa mistura de coisas que o Grande Arquiteto tanto fez que a receita seja coisa guardada a Sete chaves, uma mistura tão improvável, quanto inusitada.. Onde a reunião de DNAs diversos fez o povo mais lindo e tudo isso ao sul do equador, fora de rotas marítimas, onde mesmo o outono de nossa desesperança anda assim luminoso.. Escrevemos cartas para a humanidade, elas andam por aee, de jeans e camiseta, de vestido esvoaçante, com a mais incerta volta, nas curvas desse corpo genial, da cabeça boa, da ideia brilhante, do contar, do criar, do diferente e daquilo que é mais imponderável, vejo assim a Sereia que mesmo sem maquiagem já é perfeita, mas resolve encantar, ainda mais, o que dizer? 

Nada, apenas calo, observando toda sua perfeição, e eu jogado ali inerte nas ondas, ouvindo o seu cantar, que inebria e faz sonhar.. Das lendas que sonhei, esta foi a mais perfeita que veio numa onda e ainda enfeita a parede com seu olhar, com sombra ou sem, a face linda e o olhar marcante, daquilo que sei e algo que intuo.. Feito Estrela fulgurante, cometa loucura entrando pela janela da sacada, iluminou toda a casa feita de cor da paixão, estrela guria, cintilando o espaço exato e no momento incerto daquele sorriso fatal, com o lábio marcado da cor de pecado, que nada, não existe pecado abaixo da linha.. Do equador!

De todas as linhas, as dessa carta, poema doidivano desses que leio em caixas, nas gavetas que abro do meu peito insone, e que ficam assim, flanando por aee, como se a luz e o fôlego dessem uma passeada e apenas as fagulhas do cometa ficassem por aqui pairando no ar, num balé de tal significado que corpo de baile nenhum trataria.. Então do sonho desperto, e preciso e exato instante percebo a mirada, secreta, porque me miras se não me sacas para bailar? De toda química, da tabela inteira, na ponta da língua em latim, não encontro elemento para sanar esta coisa que inebria e faz sonhar.. Talvez esteja chegando hora de atravessar a ponte.

Sonhos são feitos de pequenos cacos, de estilhaços que desprendem do peito com teu olhar..

Recolho todos eles e coloco numa caixa, na gaveta, vezenquando abro um tanto para lembrar..

Abraço para quem.. Inspira!

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