Na casa de meu pai
Sexta, 07 de Agosto de 2015

Ouvindo Naquela Mesa - Zélia Duncan!
Ano passado ainda estava com brilho nos olhos, nunca teve bandolim, sim conversa franca, mas pouca, nas ligações de amigos que ainda doem para atender, nas lembranças, das gavetas que aos poucos vão sendo mexidas, e que trazem as histórias de vida, de caminhada, mas para algumas pessoas que chegaram depois ainda faz falta. Dia desses, o pequeno Dino me disse, com água rolando na face, que não queria mais estrela no céu, e sim ele aqui perto da gente, sabia que isso era duro e sentido, mas não tinha ideia do quanto. Escrevo isso aos poucos, porque o coração aqui no peito está aos saltos, e para quem me conhece sabe como é, tenho tido manhãs sem a ceva do mate, mesmo para não sorver a saudade, tenho tomado mais café e chá, e ao mesmo tempo que não caminho pela mesma calçada, acho que é mesmo pra não encontrar e, os encontros são constantes, parei de mexer em gavetas e tenho visto poucas fotos, seus amigos chegam devagar e, quase sempre com olhos marejados, é dureza, sempre nos falou disso, nas ações e nos seus dias mais intranquilos. Não sabíamos o quão duro seria, em verdade ninguém sabe até passar por isso, pessoas passam por aqui para se tornarem prontas, algumas num rabo de foguete, outras na calmaria de brisa constante. Meu velho, aprendi com tua calma e com teu olhar que para mim e para tantos nunca foi apenas mirada, teu olhar sempre foi meio e mensagem, aos poucos percebi isso, principalmente nas horas duras, que nunca desacreditasse. Tu e tua imensa fé, nos ensinou a ter persistência e acreditar, mesmo quando temia os ventos e raios, e simplesmente queimava ramo bento em quase inútil cinzeiro dentro de tua casa, me mostrou a hombridade e o valor da caridade, quando tirava do teu próprio sustento para auxiliar causa nobre. Hoje, pai, tenho história pra contar aos meus filhos, que te conheceram e tem saudades de ti, como muitas pessoas... Sei que te alçaram mesmo sem dizer como pai e avô (mesmo sem laço sanguíneo), como ouvinte e conselheiro, como gente séria e proba, assim como a primeira pessoa que um forasteiro encontrava lá no teu canto de trabalho dos últimos tempos. Pai, fazes falta e sei que ainda irá continuar a doer aqui no peito, hoje te peço luz e discernimento, energia para o bom combate e que vele para que eu seja pálida ideia como pai e amigo. Fica em Paz! Beijo!
Pompílio Rubin Girardello, nascido gaúcho, mas que conheceu o mundo sem nunca ter subido na cabeça mera riqueza, mesmo tendo sido um dos empresários de maior sucesso no Norte do Estado do RS entre os anos 1960-1990, (quando tudo isso ainda era sertão) tenho certeza de que seu maior tesouro foi ter construído e mantido amizades ao longo de toda sua vida, sempre de forma desinteressada e trabalhou até o último dia de seus quase 80 anos. Obrigado pelo legado pai!

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