O Ipê realmente floresce em agosto
Sexta, 14 de Agosto de 2015

Ouvindo Um Índio – Zé Ramalho
Cortando num zap a esquina, o declive propicia vista mágica, ele ali soberano, robusto e leve, o Ipê com partes do tronco de escuro qual breu, galhada elegante e um amarelo lindo contracenando com o firmamento, liso assim sem algodão, um dos meses que separa o frio do tempo das flores, dos nasceres e ocasos mais esplêndidos. Dia alto com muita luz, não tinha visto agosto tal, naturalmente mês taciturno, levador de gentes, mês de vento também, mas não o das pipas, das pandorgas, ainda não, aqui no Estado mais frio da nação, mas de gente com o coração mais acolhedor, de gente mais calorosa, os agostos não são assim, como dizia o mestre Érico, que mencionou isso e sabia como poucos mostrar o espelho de seus épicos personagens, que em síntese, carregados de essência e vida...
Cruzo com personagens transcritos da mais louca ficção, que misturam tatuagens e café bem forte, mas também artistas do cromo, das letras, da música e da arte. Gente que Ora, que blasfema, que uma hora é pregador e em outra pecador, cruzo com pescadores, também de ilusões, destas que a vida revela, como as flores do Ipê, daquelas não podemos esquecer, se forem amarelas ou roxas tanto faz, mas ninguém fica inerte depois de cruzar com uma delas. Aqui no centro do mundo existe quase um quarteirão, decorado seria uma palavra mal colocada, talvez adornado ficaria mais apropriado, mas não passe por lá sem ficar encantado, extasiado até, com tanto cinza e negro, a natureza nos ensina que o singelo, que não é tão simples assim, mostra muito mais, como o escrito nas palavras proféticas, que nada será mais belo, nem as roupas de um rei (que pode ser Salomão, ou aquele naba que pensa ser algo mais que seu irmão africano mais humilde) poderão vestir melhor do que o lírio dos campos... Que este agosto que vai passando seja leve e que se contente com o que já levou até quando escrevo, deixe ver mais Ipês, Nasceres e Ocasos, mais revoada de pássaros e de pipas... Mais olhares que cruzam o éter, mais palavras postadas, mais cromos desta bela natureza. Isso é o que desejamos, menos parcelas e mais divisão, inclusive de responsabilidade, temos que tentar transformar este planetinha em um lugar de ser e não apenas ter. Este é o recado que este agosto diferente nos traz...
Abraço para quem... Faz a Diferença!

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