O nascer do sol no centro do mundo
Sexta, 09 de Outubro de 2015

Ouvindo Kleiton & Kledir – “Navega Coração”

Com o passar do tempo, sabemos de coisas que antes nem se imaginava. A volta do relógio, o escorrer da areia, o calendário contado em luas, bips, chamadas, listas, confirmações de presenças e de ausências, a troca, o olhar assim diferente sobre o mesmo ponto, a descoberta e como encantar-se com pequenas coisas, simples acasos, que não existem, sei, mas que quando aprendemos a fixar e perceber, tornam-se mais do que limitadas ocorrências.. Assim é o nascer no Centro do Mundo, das janelas laterais das casas e de apartamentos podemos, dependendo da posição meridional, perceber nuances, tons e sobretons, sempre acompanhados ao longe da vegetação e de uma espécie nativa aqui e ali, pródiga em luz natural e por seu recorte geológico baseado no mais puro basalto, numa de suas sete colinas. Ele sempre vem com magia e encantamento e se você estiver bem consigo mesmo poderá aproveitar mais; ao mirar o leste, perceberá que antes mesmo da bola de fogo ascender e iluminar toda a cena, o frescor do vento matinal, o sussurro das aves, despertas e em voos curtos, antevendo futuras térmicas para elevar-se de forma livre, leve e solta, certamente à procura do seu café da manhã. Outros olhos percorrem a cena, com a lembrança de cenas de rostos e sorrisos formidáveis, como os que sonhei noite passada, quando escrevi poema, assim por aqui vamos percorrendo o caminho, dia a dia, curva a curva, de sorriso em sorriso, recebendo lições diárias de quem vale a pena conversar, de trocar, e com estes pequenos e luxuosos presentes vamos percorrendo a existência. Sempre disse isso, esta terra tem magia! Uma é sua água, fonte de seu princípio, onde tudo resolveu, depois veio à palavra, à ação, à reunião em torno de algo comum, de sua crença e fé, e da batalha de seus iguais, lições que tivemos de nossa gente; da família através dos avós, dos pais e tios, de gente que vai ficando agregada como se fosse parte do teu DNA, de gente que passou por aqui e que, mesmo longe, vibra com as imagens que artistas do cromo colocam no éter eletrônico, que cruzam ares e mares, e que chegam a pontos tais que descobrimos mais tarde pelas curtidas, pela observação de amigos e, exatamente, pelo detalhe do olhar, aquele mesmo que construímos passo a passo, e que num instante descobrimos não só, nem isolado, mesmo com os aparentes prejuízos intentados por outros de pouca fé, e de olhos literalmente famintos, maiores certamente que sua parca capacidade. É nessa hora que lembro gente inoxidável, amigos que participaram em determinada parte do percurso, mas que por obra e conta do senhor destino não mais trocam os olhares por este quadrante. Saibam que se o olhar que aprenderam divisar por aqui, podem sim trocar por aee, mas a magia e a saudade são coisas que não se esquecem tão fácil.. Coisas que nos faz melhores, no sentido de dar graças, pelo que tivemos e por quem partilhamos. É a certeza que nada nem ninguém passa em vão, alguns te ensinam por sua humildade e capacidade de divisão, seja de carinho, devoção ou inteligência, outros pelo simples fato de nos lembrarmos sempre em não sermos tais.. Ainda o Ser suplantará o Ter nesta incompreensível sociedade de plástico. Disfarce e acorde cedo, pule da cama e chegue à janela, receba o melhor de toda a existência, o sorriso que sempre verás na face de pessoas amadas e que lhe é dado a cada manhã, de forma inequívoca e.. Gratuita!!

Não Caminho Só!
Aos bons e puros de coração.. Ubuntu!

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