A Dobra do Teu Olho!
Sexta, 29 de Janeiro de 2016

Ouvindo Rolling Stones

Do Caminho construo imagens obtidas pelo abre e fecha de pálpebras insones, com ou sem vento de través, há muitas luas, disse-me num sussurro, na confidência de caixa de Box, com os olhos úmidos, e desde então vem outro mês, e mais outro, como a imagem das luas que mudam de forma e tamanho, mas ainda assim comandam as marés, as mesmas que pensamos dividir, numa enseada qualquer, dessas pouco visitadas, despoluída e guardada na dobra de Netuno, que só pode ser mostrada a cada existência, teriam sido as highlanders de imensas falésias na Irlanda, no paredão de verde escuro e claro de um morro a beira da 386, no vale de sonho juvenil, na beira da sanga que atravessamos outrora, talvez, na areia do papo de final cut enquanto amigos lutavam contra mar em desvairio, ou no cálice breve de cicuta que nos foi ofertado, nas hostes de poder, de quando tudo se construiu, teu nome foi me sussurrado na beira do riacho, onde escrevi tal poema, que trago guardado, mostrado para algum irmão, mas ainda não publicado. Tua face descubro em sorriso, mas talvez ainda com certo véu, acho que Merlin presente sempre pra abençoar através da névoa, renovando a aliança feita em outra das dobras do tempo, vem por vezes na calçada, na esquina, na foto publicada, e fico esperando silente, no teu abraço assim de canto, no olhar que ainda não consegui nominar, por que ele inebria e deixa minha respiração em suspenso, talvez, imagino que a tela que repousa na minha parede te defina, com sua veste de tuareg, negra e que tem tal força no olho que é antológica.. Misteriosa e intensa. Sei dos contos que narravam sagas e aventuras modernamente imagino por de sol, lua e estrela, bem perto do coração selvagem, num gramado longe do asfalto e do cimento, onde tua luz naturalmente irá ofuscar o brilho de estrelas que já sem pontas, ficarão tanto pálidas diante de tua beleza e luz..

Diante de tal cenário percebi uma lenda recordada por amigo nestes olhares eletrônicos, a do homem que plantava tâmaras no deserto.. Sabemos que as tamareiras antigamente levavam de 80 a 100 anos para dar frutos, hoje pouco menos, vendo o ancião plantando as tamareiras, um jovem parou e perguntou: - Porque planta Tâmaras se não irá comê-las? – O Velho com o olhar longo respondeu para o rapaz: Se Todos pensassem como você, ninguém colheria tâmaras.. – Disso temos o seguinte recado: Não importa o que Você vai colher, importa o que irá deixar.. Cultive, construa pontes, plante ações que não sejam apenas para você, que outros possam utilizar, faça isso para o futuro, se hoje o tempo não é de colher, pode muito bem ser o de semear, nossas ações atuais, refletem o futuro.

Nestes tempos de colheita indevida, por uns, veremos mais adiante a paga, mas Steinbeck também batizou em seu clássico “As Vinhas da Ira” que cada um colhe exatamente o que deixou.. Sorrisos ou Lágrimas, Confiança ou castelos de areia.. Nome ou arremedo..

Seja grato pelo quinhão do teu esforço. Precisará de Toda Madeira da tua cruz lá no final, tentar diminuí-la, pode parecer grande avanço, temporário e ineficaz..

Tudo Posso Naquele que me Fortalece!

Saúde e Sorte.. Para os Bons!

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