Das gavetas!
Sexta, 19 de Fevereiro de 2016

Ouvindo Coldplay - Every Teardrop is a Waterfall

Do canto do teu olho, da dobra dele, vejo nuance de água, daquela salgada, também as tenho, pequenos drops assim naturebas que podem despachar certos nós que consomem. Dia desses, após fitar longamente algo do Dali, do Salvador, de algo que já tinha visto há muitas luas, mas não tive a percepção de hoje, muito em função de apurar a observação, o olhar, por vezes o caminho não é apenas percurso, é lição, que se aprende no tempo certo, e por falar em tempo, cada um de nosotros tem o seu, a imagem que hoje está no formato de tatoo na coluna, mostra alguém suportando diversas gavetas, numa analogia livre e muito própria, intui que todos temos constituição assim, uns com gavetas certas e arrumadas como aquelas do toc-toc que bate e nada deixa fora do lugar, outras desafiadoramente bagunçadas, estas, por ocasião e destino são levemente emperradas, não abrem com tanta facilidade, com a leveza necessária, algumas com dobradiças quebradas propositadamente, as com o trilho engripado, por falta de atenção, carinho, cuidado e assim vai.. Muda dia, muda estação e elas estão lá, solenemente fechadas, lacradas num “não é comigo”, estas mesmas gavetas depois de certo tempo pesam, porque tem um fino espaço onde só entram coisas que vão ficando ali depositadas, pesadas, cheias de coisas que aparentemente não lembramos, mas que continuam ali acho que suportam gritos, descaso, maus tratos, desamores, falsos, amigos da onça, pitadas de inveja de outrem, frustrações, mentiras engolidas, e tantas coisas que ficaria longo demais descrever, pois bem, chegamos numa época do ano, exatamente período de mudança de ciclo, de aeração, tem bastante vento e sol, para combater o mofo dos dias, da cinza das horas, como diria a poesia, aproveito para abrir as gavetas, um tanto de autoanálise, outro tanto de deixar seguir aquilo que não mais importa não se sustentou aqui junto do caminho, ou por isso ou por aquilo.. Num relance assim abro cada uma das gavetas, tem as divertidas, solto longas e altas gargalhadas, lembro do sorriso e do olho brilhante de amigos, do olhar de quem e isso alegra, deixa vivo o peito insone, das fotos, dos poemas, dos escritos, dos vinhos de lua e estrela, de oração e de prece, de jura, secreta, e vão ficando assim mais leves, com uma cor mais bonita, arejadas e que sustentam vôo firme, livre e longo.. Talvez seja o período de tempo utilizado para colocar em propósito algumas coisas que aprendo todo dia, receita infalível da minha inoxidável Vó Maria, já que continuo a respirar, penso que a música do caminho, a trilha sonora, ajuda a renovar, não no matraquear de fofoca, que não ouço, já acostumei em ser o último, a saber, de disque, isso eleva olhar, deixa longe de pântanos, sei que isso é tremendamente complicado em algumas situações, no trabalho, no encontro com pessoas, digamos que nem tanto espiritualizados, mas talvez seja essa a forma como o Velinho lá de cima usa para nos testar, e ensinar uns aos outros..

A mão que ajuda é mais santa do que a que apenas ora. - Madre Teresa de Calcutá.

Abra tuas gavetas, e mãos à obra.

Tudo posso naquele que me fortalece!

 

Saúde e sorte.. para os bons!

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