A esperança, essa doida..
Sexta, 15 de Julho de 2016

Ouvindo o discreto som dos grilos do universo em geral e..
Fly On – ColdPlay..

Dia desses ao atravessar porteira deparei com cena inusitada, um bloco de notas solto à beira do caminho, reparei que tinha muita coisa escrita, separei espaço na mochila e guardei até o momento da próxima parada (elas são necessárias de tempo em tempo, vez por outra para curar as feridas, reparar cicatrizes e mesmo observar, já que a vida é ida..).

Sol a pino e vento de través, pedra de tudo que é tipo, de seixo miúdo até brita mal parida, daquelas que caem do batedor e ficam no meio do caminho atravancando a passagem de uns e distraindo outros (e agora José?).. Dei Mirada e não percebi lume, deixei de lado e segui, tem algumas que nessa passagem só ameaçam e ao fim e ao cabo não trazem nada além do peso das horas que passam contigo, fazendo pressão, piando em hora errada, a curva ensina quais ouvir e quando.. Na Parada do fim da tarde, quando o sol se despe neste lado do horizonte, e sua amada, a lua, surge num relance, tirei da mochila tal bloco, percebi que era de viajante culto, não pela caligrafia que se mostrava descuidada, acho mesmo que de forma propositada, tirando letra de médico que é sempre dúvida, nunca certeza, e que no silêncio guarda a diferença da poção, se remédio ou veneno, você escolhe a dose..

O bloco descrevia passagens do caminho do autor, quase poliglota, identifiquei além do português, outros três idiomas, espanhol, inglês e Italiano, com alguma citação em latim.. Pensei, quantos pôres de sol viu? Nascer de estrela? Quantas fugazes caudas de cometas percebeu? Nas alamedas que percorreu, quanto olhar trocou? E, aos poucos, fui entrando no mundo narrado por este caminhante, ajustando vezenquando à distância do lume da fogueira que fazia jogo com a escuridão da noite, e desvendava sua visão do caminho, mais outro quarto de hora e percebi que as pálpebras davam sinal que o caminho daquele dia tinha sido pesado.. Ajeitei o caderno cuidadosamente no alforje, rabisquei recado para quem, e me recostei no catre improvisado, guarneci um toco velho na fogueira para servir de vigilante e voltei a cabeça para o pálio. Refleti por instante sabendo que à noite iria receber visita nos sonhos..

Escreva sempre para quem, por vezes, uma vírgula deixa mais recado do que ouro, e a brasa do coração sincero que espera sempre ouvir deve ser soprada, se não posso te alcançar com o lábio hoje, recebe o sopro e acalenta o fogo..

“O sorriso.. Nada custa, mas acrescenta muito. Enriquece os recebedores sem empobrecer os doadores. Dura apenas um segundo, mas muitas vezes a memória o guarda para sempre.”

Mário Quintana.

A coluna é dedicada a quem visita meu sonho, sempre com o sorriso que vi na esquina do centro do mundo!

Abraço Que Tudo Pode!

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