Uma imagem diz muito, eterniza o momento e os seus
Sexta, 16 de Setembro de 2016

Ouvindo “No Rain” (Blind Melon) – Kid & Darlin Muller

Na semana passada, uma parte de cromo icônico que rodou o mundo deixou de respirar, com 92 anos: a enfermeira Greta Zimmer Friedman, que foi beijada pelo desconhecido marinheiro George Mendosa, em um clique feito pelo Alfred Eisentaedt e que foi publicado pela primeira vez na Life.

Isso aconteceu em 14 de agosto de 1945. Greta tinha 21 aninhos quando os japoneses se rederam, após os estragos cometidos de lado a lado. Enfim, tinha chegado ao final um sangrento confronto que levou o mundo inteiro à desavença e transformou o mapa do globo.

O instante eternizado na alegria e o final do trágico embate. Mostrava a força de um “faça amor, não faça guerra”, que o mundo passou a experimentar, de uma forma leve. Quem viveu os horrores de uma guerra nem pensa em pegar em armas: a estupidez de confrontos beira a barbárie. Vimos isso atualmente, em acontecimentos nos quais gente de cabeça vazia e cheia de poder envia outros para embates ensandecidos, por qualquer me dá aquela palha.. É claro que sabemos que existe, atrás disso tudo, uma sanha que alimenta a indústria armamentista. É só perceber que os confrontos bélicos são introduzidos por interesses em dominação, exploração, subjugação e ampliação de domínio (de forma fascista e não cultural). Assim, percebemos a alteração das coisas, a perda de importância de línguas (que muitos dizem mortas, mas que estão nativivas, em todas as obras, pois sintetizam e muito o pensamento de grandes cabeças), usos e costumes que são introduzidos de uma forma virulenta.

Observe como era o consumo das famílias há 30 anos: o almoço de domingo era uma festa, todos se reuniam ao redor de uma mesa farta de carinho e atenção, de respeito e de olhares longos. Onde estão os cromos como o que ilustra a crônica? Talvez guardados em pequenas partes do cérebro de quem lê. Procure novamente o olhar longo, depois de certa parte do caminho, não se acredita em muita coisa; há muita boca aberta despejando conteúdo de cabeça vazia. Disse, um dia desses para um dos meus, que não acreditava mais em certa pessoa, sim quando vemos uma tentação quase doentia em verticalizar um olhar, é só de um lado, isso é ledo engano, não caio mais nessa. Observe o cromo: ele está em 3D, numa época que nem existia tal conceito. Se você perceber o cromo inteiro, ele pode ser visto de muitos ângulos, que estará ao mesmo tempo inteiro, uno. Talvez seja esta uma das melhores capacidades dos de olhar longo, eternizar a cena para contar depois, noutro instante, para quem não percebeu porque não estava vivo ou ainda não era inteiro.

Na próxima sexta-feira entra a primavera, termina o inverno, para que possamos guardar boas cenas e que o período seja fértil em cultura, realização e amor, afinal, você passa a perceber quando é ou não.. com o tempo, a janela mostra a da alma. Não te demores onde não podes amar! Ubuntu, somos um só!

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