Entre Duas Torres..
Sexta, 28 de Outubro de 2016

Ouvindo Zé Ramalho – Chão de Giz

Terra de Sete Colinas, do céu de canvas, riscado por mestres renascentistas a cada turno, Terra de Foguete e de porco, servido á moda antiga, com o couro craque lado, terra de sorriso e de roda de mate, da erva buena e agora também do tereré, coisa da moçada que veio colorir os olhos, as mentes e a paisagem, veio beber da água, da poção de bem querer, somos feitos de recortes sim, e a cada dia posso sentir esta imensa e moderna colcha, que tem servido de pano de confete para alguns, mas de fina estampa para outros.. Acabou outra Feira, foi a 34ª das lonas de sonho, de bordado e costura, salta gente que gosta de ler, de ouvir, de cantar, dedilhar, e declamar.. A Cada edição fica mais bela, mais forte, mais nobre, e mais pura, se não se tem vassoura catamos pedaços com a mão mesmo, tenho observado que o legado de muitas mãos se estende campo á fora, como plantação de trigo que irá virar pão, que mata a fome e fortalece o ânimo e a alma.. Em cada sopro de vento que ora bufa, ora estica, uma chuva assim de través, já vi, temporal passar por cima, bem acima das Duas Torres, e ali na praça, onde até diabo já cruzou, mas não ficou, porque a água acaba com o fogo, e esta água é benta, ungida em caldeirão de Bruja, há muitas luas, depois voaram para outro espaço, vezenquando estão por aqui, lindas, inteligentes, loucas e leves, posso percebê-las no olhar, em suas poções, com cheiro bom de perfume, ora assim ora assado.. Nem sempre se percebe isso, uns e outros querem logo atar e tocar fogo, mal os sabem, toda musa é Bruja, e em pensamentos goteja seu encanto, como se fosse um copo de rum apenas com gelo, mais nada.. Ao Olhar o cair da tarde, o matiz caboclo que narro, ouço suspiro ao longe, cromos que nos enviam do andar de cima, refazendo outra vez o arco baleno, num acordo sempre vantajoso para quem percebe e anda com fé.. Depois desta cena digna de filme de Kurosawa, cai o pano negro de noite ímpar e, protegida pelo escuro que iguala a todos e, os deixa tais.. Nasce no leste formosa Lua, como hoje nos cerca o concreto, aliás, nada discreto, leva mais tempo para o vulto se mostrar, de cara cheia, mas envergonhada se esconde, ora aqui e ali, num quebra cuca que já descobri, é inveja de La feiticera, escrevi um poema pra te encantar, quem sabe dia desses ouça de meus lábios, voz no éter, se anotei talvez porque tenha encantado, ou notado minha voz.

A Geometria do Lume de Estrela é um grito espalhado pelo éter, que reflete nos teus olhos de tempestade.

Se por acaso perdeste a Feira, Venha Pegar teu Abraço que Tudo Pode!

Ubuntu Somos Um Só!
 

Comentários