Como você será lembrado?
Sexta, 27 de Janeiro de 2017

Ouvindo Zé Ramalho – Beira Mar

Alguns seres conseguem a façanha de terem sido amados, outros detestados, casualmente pela mesma razão. A Sociedade empurra para um consumismo que beira o ridículo, e tem gente que cai na rede... Outros percebem em tempo, é claro que podemos virar a página e explicar a pirâmide de Maslow: será que a base da pirâmide inverteu? Está de ponta cabeça?

Durante a Segunda Grande Guerra, foi inventado o plástico, que proporcionou um avanço fabril só comparado a então revolução industrial e seus cavalos-vapor, que substituíram, e muito, a força produtiva por motora.

Hoje, em pleno século 21, estamos na época da eliminação de postos de trabalho, em determinadas partes do globo, quer perceber?

Durante os anos 80 (1980-1989), uma agência de banco estatal próxima do Centro do Mundo tinha aproximadamente cem funcionários, entre os dias 20 e 25 de cada mês era comemoração como se fosse um título (pode ser este da longa fila listrada, por exemplo). Hoje esta mesma agência não disponibiliza (normalmente) mais do que três funcionários nos caixas de atendimento presencial, os postos de trabalho foram substituídos por máquinas de auto-atendimento e também por serviços a distância em plataforma digital. Os livros de Asimov, e tantos outros autores, previam isso há muitos anos. É o futuro, e a conversa sempre será em número de postos de trabalho. O Sistema querendo maximizar lucros e minimizar custos, naturalmente te cobrando tarifas extras por este “conforto”.

Numa época em que decidi viver, vendi alguns extras e visitei a Europa pré-Euro (agosto 1992). Passei algum tempo lá, dividindo os dias e as noites com amigos, percebendo a cultura e me assombrando, o sistema bancário da época em pleno primeiro mundo era radicalmente velho. Lembrei minha infância quando meu posto de trabalho era office boy, ou seja, o cara que dá a cara a tapa, enfrenta filas, entra numa porta e sai por outra. Isso traz, ao contrário do que imaginam, muita experiência no trato com pessoas, com seus tiques nervosos, manias e tudo mais, isso para quem foi treinado a observar. É no detalhe que acontecem as coisas. Naquela época, em plenos anos 70-80, para fazer qualquer operação no banco você antes passava por um balcão de atendimento, com fila única, verificava toda a papelada e operação, seguia então para o caixa para autenticações e pagamentos definitivos. Engraçado, na Europa ainda era assim muitos anos mais tarde, ou seja, lá eles não eliminaram os postos de trabalho, fizeram isto em suas colônias, na África (para cada emprego alemão, pelo menos dez africanos desempregados) e ocorre por aqui também da mesma forma, e os caras não percebem.

Temos um país continental, muito espaço. Nos Estados do sul, a progressão de nascimentos está sendo alterada, estamos em famílias menores, agregações antes com números grandes hoje se reduzem à média de dois e até menos filhos, num movimento contrário à expansão e ao natural envelhecimento da população e da capacidade produtiva da comunidade. Certo, estamos vivendo mais, e esta curva terá que ser devidamente estudada, as pessoas continuam com potencial para o trabalho, de forma mais serena. Mas ainda produtivas. Você será lembrado da forma como perceber a mudança.

Quem viveu verá.

Abraço para os Bons!

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