Você tem fome do quê?
Sexta, 10 de Fevereiro de 2017

No despertar de outro dia, com o sol ainda no horizonte, pensei, qual será a fome das pessoas hoje em dia? Em tempos instantâneos, a fome pode ser de um fast food, mas não é exatamente desta fome que falo. Alguns que conheço têm fome de viver, ficam encastelados e guardando o vil metal, em contas e propriedades, algumas tão vastas que caminhando é praticamente desumano percorrer. Tempos atrás descobri que ainda existem feudos. Ora aqui, ou ali, são feitos de posses, bem mais do que o simples cadáver necessita para pousar a cabeça. Dom Pedro, o II, que foi injustiçado talvez por ter defendido a Monarquia, um regime prá lá de injusto, mas que amou tanto esta terra que, estando à beira da morte, pediu que colocassem a terra brasilis num travesseiro e que fosse levado ao esquife com ele, para repousar em solo sagrado. Somos humanos e cometemos os mais variados erros durante a existência. Que a corte era putrefata, isso talvez se assemelhe aos covis do planalto central, e não falo apenas dos últimos tempos. A terra do jeitinho, das pequenas e grandes disfarçadas enganosas como o jogo do bicho, feito à luz do dia, as corruptelas de gorjetas para favores infames, e outros que tais... Há certo tempo, se você perguntasse para um avô, ou avó, se era possível dar um jeito, provavelmente tomaria uma bifa do lado da orelha que até os bisnetos iriam nascer com problemas auditivos. Onde foi que escorreu a rosca? Encontro entre os meus amigos pessoas da mais alta e ilibada atividade, quase todos são bons pais e mães, têm problemas como todos nós, pagam alto preço por serem corretos, mas nem pensam em transgredir esta ou aquela regra. Não cabe aqui citar este ou aquela, mas levantar a ideia que podemos, através de nossos pequenos atos, encorajar a sermos mais humanos, decentes e cumpridores do que manda a regra. Ora, se estes que aí estão (os políticos) não as seguem, troquemos como fraldas de um bebê. Até que a coisa fique consistente e que possamos trocar o rumo da prosa. É possível, existe, sim, gente muito decente e corajosa. Acho mesmo que estas coisas absurdas como isenção de impostos para este e aquele têm que acabar. Um imposto único ou no máximo cinco que contemplem todas as categorias, com aplicação e depósito diário ou semanal (no máximo), ficaria uma relação mais saudável e justa e não teria tanta engenharia de propina coexistindo como nos últimos tempos (quase cinquenta) pra ser exato.

Pagar bem aos professores, cobrar melhores resultados, exigir mais dos alunos e também de suas famílias, que os acompanhem, é, antes de tudo, receita certa de sucesso. Dêem uma olhada em países que aplicaram entre 20-30% do PIB durante vinte anos, os países (os Tigres asiáticos, por exemplo) eram subdesenvolvidos e hoje dominam a fabricação de algo presente na maioria das casas (tela plana - seja TV ou microcomputador). Os chips, que fazem parte de TODO produto, seja um batedeira ou um carro último modelo, são fabricados em países que têm um território minúsculo, muitos, ou melhor, a maioria deles é menor que um dos Estados de nosso país. O que mudou durante o pós-guerra? A forma como encararam o problema. Enquanto estivermos com a maquiagem em dia no poder central e os fundilhos sujos na educação, estaremos fadados ao insucesso. Abram escolas para mais adiante fecharem prisões. Você tem fome do que mesmo?

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