A vida é emenda daqui, remendo de lá...
Sexta, 17 de Março de 2017

Ouvindo Peter Gabriel - Mercy Street

Sabe aquela colcha de retalhos que você, na infância, viu na casa de tua vó? Não viu? Então imagine... Dia desses percebi que se assemelha a vida, nem sempre está tudo bem, mas aquele pedaço vai compor parte do cenário. É na provação que se faz o forte, de espírito e de alma.

Quando vai ficando maior a conta dos dias, os retalhos vão se tornando importantes, lembram caso, pessoas, lugares, datas e eventos. Assim, olhando o velho farrapo, muitos não dão importância, mas aquele pedaço teve um propósito, fazer você valorizar mais, talvez ser aguerrido na luta, no auxílio, ou quem sabe, mostra que tudo muda, sempre, quando está bom, saboreie o instante, não mostrando opulência e boçalismo, diferenças existem, sempre existirão, fica na lembrança quem passou e marcou a vida do outro. De forma positiva, com um afago, o conselho, o ombro amigo, muito sensivelmente com o ouvido amplo e a boca miúda. Todos temos pessoas assim na vida, de uma forma ou de outra. Uns ficam lindos, mesmo em farrapo, outros, nem tecidos em fio de ouro conseguem tal efeito.

Quem olha o detalhe observa isso. Você vai catalogando momentos, instantes, e guarda em lugar especial, quem é grato sempre lembra, ah sim... Tem os de outra forma, tão senhores de si que esbanjam cadência e, no primeiro tropeço, perdem seu viço, se fecham como ostra, não para fazer a pérola, mas para degustar sua amargura, que é espalhada no primeiro instante de contrariedade. Estas são as partes rotas da colcha, os pedaços que cedem fácil, mas que em contato com os outros mais brilhantes e verdadeiros, são sustentados, durante o tempo da colcha, depois, ninguém lembra... Não faz falta, nem diferença.

Observa e vigia os teus. Serão naturalmente poucos, porque é difícil sobreviver à sociedade de Narciso, esta que prega coisa, mas só desfruta, não constrói nada. É tal vampiro de energia e de luz, seres de pouca fé, onde a inveja e o asco das ações imperam, constroem castelos, além de estar baseado na areia, tenta esconder a putrefata face, do jeitinho, mama aqui e ali, tira proveito tal à infeliz lei do Gérson (que merecia melhor sorte do que aquele comercial de fumo cancerígeno) que gosta de levar vantagem em tudo..

Vai tecendo tua colcha, entre os pedaços guardados e cerzidos na companhia, na luta, nos sorrisos e também nas lágrimas, verás que ela tem a exata medida do teu leito, não precisa mais do que isso, ao final das curvas, quando o caronte bater no teu ombro e pedir as moedas para passagem, esvazia o bolso, no qual o teu irmão, o amigo de fé, colocou alguns dracmas, possivelmente três deles, que serão o salário do barqueiro nos três dias de travessia, um para cada dia de trabalho...

Teu irmão fará isso por tu, o mais corajoso deles, o que te é inteiro, e que preservará intacta sua asa para o futuro encontro, em outro cenário, mais leve e, já sem culpas, ou erros.

Saúde e sorte... Para os bons!

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