De todas as pessoas que encontramos na vida, as mais valiosas são as que chegam antes do dinheiro e as que ficam depois que ele acaba.*
Sexta, 31 de Março de 2017

Ouvindo Cruise – David Gilmour

Costumo guardar cenas, as memórias são repletas delas, umas ficam eternas, outras, como leve brisa, não conseguem mover o cursor, o olho é pródigo em escolher algumas. Eternizar momento não é para qualquer mortal, uns tentam e, definitivamente, além de não terem a parda ideia de como fazê-lo, compram gente que se dispõe a criar cena. Conheço alguns belos personagens criados a partir de mascada de notas, um verde tão intenso que, mesmo no país de origem, não tem tal tom. Outros, de tal vermelho sangue que, fruto da insignificância da peça, tenta burlar sistema, aquele mesmo, corrupto e escroque, se dissipa no ar como o olhar de paisagem na tela patrocinada. Fazer acontecer é lidar com emoção, mas com razão é tratar os outros com cortesia, mesmo não sendo de seu time, afinal, os números não são iguais, nem os de quociente de indicação, nem outros que alguns nem imaginam. A caminhada não termina com eventual sucesso, a curva ensina que temos que estar atentos, pois, mesmo o sol, com toda sua majestade, se põe todo dia para a lua brilhar. Pequenas ações, atos sem publicidade, destes de levar sorriso ao rosto e lábios das pessoas, exatamente quando a pessoa não está mais no mesmo plano, mas sua obra permanece. Somos tão pequenos que nem se nota o hiato de tua existência na cornucópia desta coisa toda. Entender teu dom, não procede de imaginar que sejas melhor que outro, a lenda de Narciso narra com exatidão, somos tais, a grandeza se revela na sabedoria em usar o dom, não para eternizar momento torpe ao lado de peças de um sistema pobre e sujeito à pressões (nem sempre lícitas) que moldam caráter da coisa, usar, e bem, os recursos, mas sem imaginar que aquilo seja a única e exclusiva regra e caminho. Faz assim, edifica enormes arranha-céus, não os de concreto, de ferro e aço, de vidro, mas o de tuas sementes transformadoras, com teu exemplo e palavra, uns moldam o barro de tal forma, que tornam belas esculturas que terão, através da arte e da representação, uma vida tão profícua e longa, que tua construção mais magistral não fará nem cócegas, mas talvez se alinhares pensamento e ação, palavra de fundo do peito, mesmo estes teus atos pagãos, que usam o sistema, não para perpetuar o soldo, que sempre aparece, quando alguém precisa usar a velha “panem et circenses”, quem lê conhece, então, se por acaso o sistema te cerca, usa para deixar o sorriso no rosto desvalido como obra e não como meio para alguma escada desejada e intentada. A energia que propagas deve estar carregada de fonte pura, se acaso não é esta intenção, a luz deixará marcas tão escuras quanto borradas cenas (patrocinadas) que, mesmo em dia alto, não tem o brilho dos olhos, aqueles verdadeiros.

Intua, no teatro sempre existe a cena que destoa do conjunto da obra, nem toda peça é composta de atores magistrais, sempre existirão os esforçados e, também, os meia boca.

As luzes que saem do peito ofuscam as patrocinadas por eventuais mecenas, a história mostra. Leia mais!

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