O tempo dos homens e mulheres
Quinta, 13 de Abril de 2017

Ouvindo Neil Young - Hey Hey, My My

Somos como nozes, dura casca por fora e intrincada, cheia de dobras por dentro, nem toda noz está plena, ao quebrar a casca, por vezes, encontramos muito pouca substância como alimento, apenas restos de dobras que se assemelham ao cheiro e consistência de maravalha. Pensei dia desses no ensinamento que meu velho pai deixou há muitas luas, na época estávamos em plena entrada da vida, adolescentes, meu irmão Dani e eu, cada um a sua maneira, um alegre e expansivo, e outro mais compenetrado. Certo que tínhamos arroubos, como qualquer adolescente, galo fino na fala de “gente grande”, por vezes não entendíamos as decisões do pai e, em silêncio, tecíamos críticas mentais, tempo necessário para o amadurecimento. Seu Pompílio sempre foi um observador, falava por último, coletava informação e fazia seu juízo em silêncio, com vários ângulos, mas sempre de forma justa, diria hoje, precisa. Muitos planos tinha a dupla de irmãos, o centro do mundo ainda adolescia, tudo era mais simples e possível, com algumas honrosas exceções. Num desses momentos, falece eminente figura da sociedade (nomes, fontes e lugares devem ser preservados -57ª Lei de Newton – se ele não escreveu, guardou isso pra si, que descobri num desses papéis que passou por minhas mãos e olhos, não perguntem quando nem onde) a cidade e região obviamente ficou com a respiração em suspenso, era pessoa poderosa, com muitas posses e quase nenhuma pose, conhecido de meu pai, filhos de comerciantes sabem que precisam estar em contato com a sociedade, e o pai nos chamou, que hora vocês vão ao velório? Sua voz, como de hábito, calma e firme, nos olhamos e respondemos algo como qualquer hora pai. Vão logo pela manhã antes das oito, cheguem de forma silenciosa, cumprimentem as pessoas da família, principalmente o núcleo principal, transmita nossa tristeza pelo passamento, e que estarão em nossa prece. Porém, observem muito bem o esquife, vejam de que tipo é e se tem algo diferenciado. Ao voltarmos, ele perguntou: Viram? Ao qual respondemos sim pai, nada tinha de especial, apenas um modelo fino de caixa... Vocês repararam que não tinha gavetas? Nisso meu irmão e eu nos olhamos e respondemos: Sim pai, não tinha nada. Meus filhos, essa pessoa tem muito mais do que possa contar, no entanto, sai daqui hoje sem nada de material, apenas o bem que fez durante a passagem.

Caros, observem muito bem os detalhes, neles existe algo maior do que vocês podem imaginar no instante.

A sabedoria caminha todo dia ao lado da humildade, de mãos dadas.

Saúde e sorte, aos bons!

Buona Páscoa!

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