Sonhos engavetados
Sexta, 28 de Abril de 2017

Ouvindo U2 Whith or Whithout of you

Daqueles dias que você observa a curva, quando ela vem?

Não sinta a leve carcomida da diagonal do vento, nem é isso, apenas perceba que a finitude existe assim dura e cortante como cutelo, perto da terceira vértebra, muitas luas atrás assisti filme que os retirantes, os evadidos, os sem cama quente, os caras e as caras que dormem ao relento, não importando a estação, nem o dia da semana, sem folhinha comemorativa, sem espera, sem agrado, sem surpresa, apenas a velha e desagradável consciência que ninguém está nem ai pro teu pastel, o consumo do outro lado, que inflaciona as bolsas, que aumenta a curva ascendente de lucratividade, bem, estes sempre estarão ae... E você? Pois é, no filme os retirados do sistema tinham uma crença, quando você tinha as duas longas e verticais marcas ao lado do pescoço e até a cabeça, era por onde os ganchos entravam...Levavam o vivente para além, nunca em todo filme se tocou em paraíso ou mármore de hades, pelo contrário, apenas que levavam...Pensei dias e noites nisso, deixei quieto pra madurar, como bom e persistente brasileiro, percebi entre um e outro tipo de vivente...Tenho andado muito, por aqui e por ali, aprendemos que somos filhos do alto e, portanto, merecemos sorte melhor, mesmo, mas é tanta iniquidade, tanta inveja, tanto desejo desmedido, talvez seja a prata nos cabelos, ou nem isso, amigos que colorem nem perceberam isso, estamos aqui de passagem, apenas isso. Os dias se propagam com uma rapidez incrível, sempre convivi com gente de todas as faixas, graças a Deus, fui e sou amigo dos amigos dos pais e avós, conheço histórias tão lindas que, quando bate inspiração (e ela bate, tenham certeza, uns esperam sinal, mas é preciso aprender a percebê-los) rabisco folha, branca ou de rascunho, aprendi que no planeta não existe fora, então reutilizo especialmente o papel, ali está uma árvore que deixou de viver para receber linha minha e tua, intua...Nestes papos, conversas, em todos os lugares, banco de ônibus e de praça, fila de banco e qualquer outra, este país sempre será eterna fila, outra verdade inconteste, vou trocando e percebo que alguns se queixam, e continuam fazendo igual, presto atenção, vezenquando falo, quando a pessoa permanece olhando e entendendo me alongo, não demais, para que a mensagem não se perca um, dois minutos é tempo precioso, tanto para ouvir como para calar, existem pessoas que tem esta dificuldade de permanecerem em silêncio, num matraquear insosso e démodé, falam muito e falam vazio, por vezes o mais humilde numa só frase condensa saber suficiente pra lotar a bula do falador. É assim, ou se percebe, ou vira um papagaio aloprado destes que usam de bomba de chimarrão até microfone de emissora pra lotar o ouvido de outrem com falácia e crenças desprovidas de maior comprovação, conheço, e bem, tipos assim. Matam e choram no velório, acendem vela pro Santo e maço pro diabo, seres de pouca luz, naturalmente proventos de muitas bolsas, especialmente daquelas que necessitam de foto e flash, que são opacos, com quase nenhuma luminosidade própria, tumbas caiadas...

De vazão ao sonho teu, mas cuidado, não fale, apenas mentalize, descreva o objetivo e se possível, coloque em cartaz (no teu quarto) e visualize todo dia, aos cães, aqueles que ladram, apenas lhes permita o balançar de luzes das lamparinas da caravana, por que ela passa e eles ficarão... Estagnados, em seu lodo fétido.

Boa sorte e luz, aos bons! Sonhe!

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