Mensagem na garrafa
Sexta, 02 de Junho de 2017

Ouvindo Wicked Game - HULA HI-FI

Filhos são presentes divinos, claro você que está aí assustado com o rolo que virou sua vida, em que horários evaporam, os pequenos luxos, como o silencioso contemplar a ventana ou o espelho de um antes banheiro arrumado e organizado. Sei, conheço o antes e o depois, por crescer em família de comerciantes e que teve na linha de negócio o item brinquedos. Deixa algo de ensinamento. O observador olhar que meu pai mostrou ao agir deixa escola. Conheci alguns casos em que pais não criaram seus filhos, sinto que perdem, ou que perdeu muito, a curva ensina isso, uns entendem, outros terão que fazer outra turnê por aqui para compreenderem a importância disso. O esforço e a energia deslocada é algo. O acalentar, um simples beijo num joelho ou canela meio descascada e o efeito disso, quando é muito sério em que há ralado em que os pequenos pensam que as tripas irão escapar por ali, o simples sacudir do tubo de pó mágico, ou a aplicação da água de anjo (pó anti-séptico ou água boricada), a colocação de um curativo de banda, ou o abraço terno em que os olhos estão colocados na mesma altura da criança, porque você está assim de joelhos, faz todo universo se mover, tenha certeza. Depois os filhos vão ficando independentes, para num tempo que não notamos porque ele simplesmente escapa. Sentimos que as coisas alteram e, por vezes em noite escura, dia de vento, quando lemos alguma manchete dessas horríveis, sentimos o peito arder. Confessar esse receio de perdê-los é ato diverso, na verdade não acontece isso, mas o mundo torna e completa muita voltas, por vezes alguns de nosotros começam a vida, mas não terminam juntos, o inteligente é observar que os filhos nada têm com isso, são unidades de carbono, misto de arranjo de genes, mas cheios de muitas experiências, coletadas nas curvas dessa existência. Enfim, ter no mínimo um tratamento cortês é inteligente, ou seria humano? Penso que o amor de pai, o cuidado, o carinho mesmo, muitos não conseguem fazer isso em público, ou porque tiveram uma repressora educação que ditava: “homem não chora”, e num instante , quando você já tem os filhos criados e percebe que as asas já estão alçadas e não voltará mais para o mesmo teto, é divisor, alguns modernos, fazem que não seja com eles, mas no primeiro hiato de tempo, vão atrás, por vezes atravessam oceano, vi isso e não foi uma vez só, talvez a maturidade nos forneça elementos para transbordar, exatamente como quando em cantoria ao redor de fogueira dava-nos as mãos e a canção surgia assim, de forma perfeitamente natural, não havíamos perdido nenhum dos nossos amigos, nenhum herói tinha sido abatido, era só alegria e futuro, exatamente como sentem agora no peito os filhos teus. Aprenda a importar-se, empreste teu ombro, tua voz, tua palavra que já não serão apenas tuas, mas a de um mar de gente, daqueles oceanos lindos de se ver. Exatamente nestes mares existem algumas garrafas que trazem a mensagem dentro e se você é pai, recolha, abra a rolha e leia a mensagem que ficará eterna no teu peito, como tatoo, ela terá exatamente as letras que compõem o nome dos filhos teus, os de sangue e aqueles que o Pai do Céu enviou para que tomasses conta. Ouço muitos gritos, uns roucos, outros agudos, e nem sempre eles são audíveis para os outros, por vezes eles estão contidos num olá, num silêncio, ou num hiato, daqueles que os relógios modernos atestam em marcar com a data e com o horário da visualização. Importe-se, ouça os gritos, mesmo quando ninguém mais fizer isso.

Saúde e sorte, aos bons e puros de coração!

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