O que irás deixar?
Sexta, 07 de Julho de 2017

Ouvindo Ana Carolina, Seu Jorge - É Isso Aí

Dia desses perguntando para amigo na fila de banco (algum dia tentarei entender estes caras, os bancos, mas este é outro papo), rolou uma pergunta básica hoje em nossa civilizada sociedade: o que irás deixar? Dois amigos, conhecidos assim, ao longo da vida, e estarrecidos com as frequentes e recorrentes notícias de falcatruas espalhadas do sul ao norte do país continente. Conheço a família e sei da seriedade de sua gente, e pensei: cara, somos a grande maioria, as pessoas honestas e probas que sabem que seus pais não utilizariam de negociata para fazer quaisquer avanços, lembrei de meu velho pai e de muitos amigos seus. Alguns vi no leito de morte, com dores severas e no olhar pedindo socorro, diziam, não vale a pena trabalhar tanto para acabar assim. Tem algumas que não saem da memória, são fortes e com gente querida. Uns novos, outros já com a prata nos cabelos e dessas lembranças que recorrem dia da gente, fico refletindo e pensando por vezes alto, o que diriam estas pessoas deste lamaçal? Sim, gente proba que enfrentou muita lama, mas aquela era diversa entupia os caminhos quase os tornando intransponíveis, mas eles seguiam com a têmpera e vontade férrea. Nos deixaram belos exemplos, homens de palavra, que muitas vezes deixavam de ganhar para poder dividir, criaram estupendas entidades e associações, edificaram uma sociedade que claro, sempre teve desvios, mas estes vazavam porque não seriam admitidos entre a gente séria. O mundo avançou e alguns costumes trocaram de importância. Um deles foi a verdade, a ânsia desmedida pelo poder faz coisas inacreditáveis. Profissionais que juraram em solenidades em frente aos seus pais que seguiriam o caminho da verdade e seriam leais aos seus semelhantes. Em última análise, toda cerimônia de colação de grau prega isso, o que vemos na sequência? Ânsia desmedida por poder e pelo vil metal, preciso disso e daquilo, ah, se não tiver isso ou aquilo, não conta, pelo último fio de cabelo de Sansão, as coisas saíram completamente do normal. Tenho lido que a educação salva. Claro, mas desde que a ganância fique fora do jogo, porque educados são vários tipos de profissionais, em muitas áreas, mas no torpor de luta pelo espaço de poder, sucumbem diante da guerra do ego. É difícil, bem difícil mesmo, encontrar um profissional bem sucedido que tem amigos fiéis, daqueles dos tempos de jardim de infância, sabe? Pois então explique o porquê dessa seara improdutiva e estéril que se tornou a “amizade”, deixaram de conviver, de se encontrar. Tem alguns porquês, as pessoas viraram moedas de troca, usam até que se tenha serventia (para os propósitos escusos deles), depois vira contrapeso. Ouvi relatos de pessoas que tiveram a tinta na caneta que após a aposentadoria, foram tratados como pessoas desconhecidas, pois aquilo que precisavam não poderiam obter. Talvez a psicologia possa nos ensinar algo. Um amigo da área tem um comentário a respeito. Amigos de família desde sempre, dias após a morte de meu pai, ele me encontrou na calçada. Um abraço sincero e ficamos conversando sobre sua obra, na qual disse que o seu também tinha tido uma obra e tanto. Em seu jeito bonachão, me abraçou e olhando para o prédio mais alto da vista, falou, eles deixaram edificações que vão de baixo ao cimo, e isso não tem preço, tem valor. Avalie bem sua amizade, perceba em tempo e valorize. A curva ensina e nos faz ver coisas que antes era difícil acreditar.

Saúde e sorte! Aos bons!

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