Sobre uma Festa para os Olhos e Ouvidos – III-Flis -13/07/2017
Sexta, 21 de Julho de 2017

Ouvindo Pink Floyd - Todo o disco More


Olhos de muitas cores e tons estiveram presentes na terceira Festa Literária de Seberi, tinham algo em comum, mesmo os mais experientes e desde os miúdos, o brilho que irradiam. O Meu Pai me deixou o senso da observação, valorizo muito isso e, sempre que posso, uso sem moderação. No espaço do pátio da Igreja de Nossa Senhora da Paz, estava estacionada a Carreta do SESI, batizada de Centro Cultural, lotada de livros e de salas climatizadas, nas quais foram realizadas muitas oficinas, sempre com presença dos valentes voluntários que, em todas as áreas da Festa, distribuíam carinho e semeavam com inteligência o bom gosto pelo livro e leitura. Esta terceira edição marcou a entrada definitiva no comando da Festa do poder público. A Festa começou como ideia e realização do Indesa, estivemos presentes em todas, aliás, a família do Seu Pompílio tem no DNA a participação de forma ativa, assim somos e gostamos. O olhar na FLIS foi ornado com a audição, vou reproduzir algumas pérolas que ouvi do pessoal iluminado que por lá esteve, como citação, estará entre aspas, peço licença poética para uso.. Do Alexandre, o Beck, que tive a grata oportunidade de conhecer, ouvir e conversar, já que há luas sigo suas criações formidáveis, o Pai do Armandinho.. Falou quando decidiu largar um emprego fixo para aventurar-se na criação de tiras (alguma de pura filosofia, diria).. “Meu pai falou uma coisa muito simples: de fome ninguém vai morrer.”, mais adiante, em sua conversa com o público.. “O medo é uma coisa que jogam na gente sem a gente ver.” Ele, em certa parte de sua fala, mostrou como as linhas podem representar ideia, eu entendi na parte da ideia ruim que as duas linhas e uma curva representam a banda podre do país, ficando muito parecida com a obra do Niemeyer lá no planalto central. Gênios são pessoas humildes e na simplicidade de ser e estar, confessou que na sua bela criação de Armandinho “Tentei caprichar no texto.” E o Armandinho, que surgiu em 2010 (lá ainda nem nome tinha), foi um exercício muito legal se colocar no lugar da criança (5-6 anos), acho que sei por que disso, o autor que atualmente está com quase um milhão de seguidores em sua página, disse também que a empatia é muito interessante, quando você se coloca no lugar do outro, e também falou que sabe o valor da leitura e que ela é imprescindível, que nos faça melhores. Mas a frase que me disse muito.. “Ter sucesso é ter bons amigos!”, filosofia de gente grande. Tivemos gente nossa por lá, na mostra fotográfica, com recortes de outras edições, é bom rever cena assim. A Nery Wirti disse algo fantástico.. “A primeira pessoa que tem que aprovar o seu trabalho é você mesmo.” E no meio de uma audiência intensa e irrequieta de rico teor, disse.. “Vamos escutar o silêncio, ele nos diz muito!”, o Breno Ferigollo Filho contou um segredo que agradou muito.. “Um livro sai muitas vezes das estórias que acontecem com a gente ou perto da gente.” Vocês perceberam a riqueza desta linda florada que é a FLIS? Muitas selfies; teve a foto da Ana Guterra lançando livro na banca da Ícaro, das pessoas com os autores e com o pessoal do Teatro Timbre de Galo, a edição deste ano teve um dia apenas de Feira, mas a semana toda de eventos relativos à cultura. Sinceramente, é bom demais ver que a semente plantada há muitas luas e com esforço criativo e desencanado tem bela e viçosa árvore, ainda não sei de qual tipo, mas tenho a certeza do sabor do fruto que possivelmente seja batizado de cultura, sem jabá e nem um pingo de afetação, coisa boa isso!

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