O afeto que se encerra
Sexta, 18 de Agosto de 2017

Ouvindo Bob Dylan - Hurricane

A elasticidade e a música que brota das letras reunidas em verso, talvez prosa, conta que os afetos estão transformados. Dia desses notei que existe muito amor envolvido entre seres ditos humanos e os ditos animais, isto vem de longe. As pessoas, cansadas de tanta iniquidade, transformam afetos, pessoas vivem sós, sem outra companhia habitualmente que a diversa de cães, gatos, pássaros, ratos, esquilos e até sapos modernamente trazidos pelo Armandinho, uma grande pessoa que conheci aqui na Ícaro. Outros, li em livros pesquisei entre gente linda que fala comigo e também leio saber ler as pessoas, está se transformando em arte, quase bruxaria, adoro elas, sempre com suas meias três quartos, rostos maravilhosos, delineados olhos, com sombra de cores escuras, divas que a Broadway esqueceu, ou talvez não, povoam no éter de contos ainda não publicados, guardados em gavetas retangulares ou não, à espera de crítica positiva. Imagino que não, elas não bebem nestes copos, bebem em cálice bojudo, sempre com um tinto de tal tom que mesmo o rubor do rosto afogueado pela temperatura da sala, do tapete ou da imensa dança, que provoca acendimentos automáticos em três, dois, meio, nada é linear, nem as contagens. Seu universo é diverso e podem tomar sorvete de limão com abacaxi e bebericar um rum como velhos piratas, nas madrugadas insones. Sua companhia? Gatos e gatas, peludos ou não, com caras e bocas e trejeitos, como somente um gato sabe fazer, falam à boca pequena que os gatos são dramáticos. Isto porque vocês não notaram suas donas, sim, porque o gato as tem, não elas, o gato... Esta inefável senda que inicia bem cedo, em outra época, era mais ou menos assim: apareceu aqui em casa, está perdida, só no mundo. Isso dito, com os olhos mais doces do universo (do seu universo), posso ficar com elx? Acostumei a decorar nomes dos bichos de meus amigxs (sim, são meus, não é posse, é cumplicidade, isso não se explica, vive-se), sempre foram muito criativos, mas essa parte conto em outra página. O que penso é que podemos ter afetos exatamente iguais a nós, imperfeitos, com caras de segunda em plena quinta, dentro de uma resposta seca durante outra daquelas chamadas (modernas ou não) que a tecnologia proporciona. Essa história de sexto sentido, as mulheres têm sim, mas vocês já perceberam o único sentido que só os afetos têm? Elxs sabem exatamente como você está, seu humor, através da voz ou de simples frase escrita em rede social, isso não é fruto do acaso, é sim observação em muitas partes, tem algumas pessoas que têm noção e praticam isso, não é controle, é cuidado, e aqui tem uma diferença imensa (diria cavalar, mas tenho amigxs que amam equinos). Da próxima vez que cruzares com um humano que maltrata animais, pense que ele não mereça essa designação. Os afetos naturalmente são cortesia da casa, assim como quando você não vai com a “fuça” do outro. Paciências nunca irão contentar nem gregos tampouco troianos. Por falar nisso, dizem à boca pequena que Helena, a de Tróia, a que tecia pelo dia e desmanchava à noite, tinha felino, ou ele a tinha, não sabemos. Esta é a perfeita combinação muito utilizada por Deusas, de carne e osso. Talvez tenham aprendido com os felinos que apenas retribuem quando se sentem amados. Aos poucos, o fio desta linda tapeçaria que percebo no caminho mostra os fios verdadeiros e sinceros, fios tramados de poesia. Em todo caso, atenta para o detalhe, é lá que o divino se esconde.

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