Outro agosto se foi
Sexta, 01 de Setembro de 2017

Ouvindo Sting

Todos os momentos são de mudança. O fim de agosto traz diferenças, a terra inteira muda de ciclo. Por aqui sai da dormência do inverno e do outono, que são estações lindas também, com características próprias, é o descanso para a florada com força. Setembro vem com tudo, é um período generoso, de cores, de luz, numa frequência que muda sorriso, a terra se transforma e fecunda traz flores, as vinhas que foram desbastadas geram ramos novos, que ao final do ano, muitas delas trarão os cachos que pisados virarão sumo, a bebida que também é sangue, que extraiu a máxima “In Vino Véritas!”, que desmonta século e permanece incólume, como o sol que neste período começa a nos aquecer aqui no sertão do sul do mundo, aquele lugar que tem a terra vermelha como o sangue; ou o tinto mais intenso, época de mudanças, não só na terra, nas gentes, como toda fase, traz alterações interessantes, talvez importantes, ou pontuais, não sei ao certo, é bom ter dúvida. Ela nos faz curiosos e ávidos por aprender outra coisa nova, todo dia, e mesmo porque toda unanimidade é tola. Ao nos permitirmos olhar outro vértice, desbastamos um tanto a pedra, que fica assim com a superfície mais lisa e uniforme, tenha apenas a certeza de que precisa ser tolerante o suficiente para ouvir outra opinião, outra voz e, na construção do entendimento, possa calçar o sapato do outro e sentir sua luta, é o início de valorização ao irmão. É claro que não são apenas flores, tem espinho, topada, mas a luz que este período traz é diversa, tem tom dourado, não é tão luminosa quanto o verão, mas nem tão ardente serão as areias do teu pisar. Talvez este período seja uma oportunidade, outra delas, que o cimo nos permite, para nos tornarmos menos intolerantes, menos céticos com a dor alheia. Podemos construir novas pontes, firmes depois do outono, agora além do conhecimento na construção, sabemos da importância na atenção ao detalhe. Ele esconde as pistas, quem percebe sabe que ler um ou outro é sapiência, rara, mas ao pensarmos que estamos sendo julgados, sem ler completamente o texto, é engano, as flores por vezes têm espinho, faz parte da morfologia, nos precaver de ferimento, mas como ser integral sem se atirar sem reserva no mergulho? Pelo menos se certifique da profundidade do local, pode parecer oceano e num repente vira lago, com margens estreitas e pouca fluência. Seja humilde, mesmo ao tentar, ninguém é melhor, apenas conhece o mundo pela sua expectativa. Dizem as bruxas, e elas existem, gostam de água pura e tecem feitiços de mel e doçura, ou de aridez salobra. A diferença está em como levamos isso, se em frasco pequeno daqueles de perfume raro ou de outros de água de colônia batizada. Na mão de quem oferece flores sempre resta perfume, mesmo que as flores não surtam o efeito desejado. Alguns de nós temos o impossível manto da invisibilidade, talvez seja mesmo a resposta da prece, livrai-nos do mal. Que o setembro traga a harmonia e a serenidade do tempo que se cumpre e que tenhamos bons motivos para continuar semeando flores astrais. Afinal, cada um de nós fala, escreve, produz a partir daquilo que traz dentro do peito. “Que bons ventos levem, que a chuva lave, que a alma brilhe, que o coração acalme, que a harmonia se instale e a felicidade permaneça!”.

Saúde e sorte, aos bons!

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