Você já se despediu de alguém?
Sexta, 08 de Setembro de 2017

Ouvindo Dogs – Pink Floyd

O outono nos deixa, na estação, nunca no mover do relógio e num vento destes, embaralham a visão, turva o olhar e perde o viço, o brilho, talvez a melhor forma a do Pai (e a do Pai dele), que sentou em sua cadeira e expirou, sem ai, nem gemido, num suspiro assim iluminado, como sempre foi seu olhar. Tenho na minha humilde concepção que isso foi benção. Algumas despedidas não são tão ilustradas assim, as gentes estão tão ocupadas e apegadas que não desejam que o outro vá. Mas sublinho este título e assunto porque é preciso falar coisas que ficam guardadas, são tomadas de mofo e sufocam. Se você que lê tem afeto, destes que brilham no escuro, alguns de nosotros têm brilho próprio, como se fôssemos lamparinas na escuridão que se tornou o líquido mundo, onde nem a soma de todos os afetos pode mudar realidade, mas é tua atitude que irá transformar, tenha sempre na memória isso. Ao alterar a forma com que vê, trata o teu semelhante, é coisa de evoluir, talvez lenta e constantemente, até encontrar a paz. Faça as despedidas, diga as palavras guardadas, encontre tempo dentro deste moedor de carne e consciência que se chama rotina. Um café, um mate, um cálice ou mais, aquele almoço ou jantar adiado, faça e refaça a agenda. Se você não conseguir dizer, escreva, mande carta (isso ainda existe), diga sempre que achar importante. Tenho grande amigo que sempre diz quando estamos reunidos em volta de fogueira, no seleto círculo de poder, que só aos titãs é concedida presença ou ausência, coisa de magia pura, transcendentalismo natos, do fundo dos seus grandes olhos marejados, clama em brado, que só pode ser ouvido a quem tem bom miocárdio. Nem todos tem, mas o brado é gutural, de tal teor e forma que desavisados caminhantes que por erro de rota estiverem passando próximos dali, ouvirão. Talvez isso os faça melhores, mas tenha certeza de que eles não serão os mesmos, sem chance, nada que o sagrado deixe incólume. Nada fica como antes, existe tal força de transformação que aos poucos velhos barcos de pesca como o que Ernest, o Hemingway, singrou as quentes águas de certo triângulo, que continua usando bermudas, vermelhas ao certo, no qual só ele sabia que a mensagem que havia lido numa dessas garrafas que esvaziou, possivelmente entre grandes pessoas, ao certo que não eram famosas, mas foram um tudo para ele naquele instante. Ao intuir que você não passa ao acaso e quem você cruza nesta tênue linha de existência, também nem ao menos acaso pareça, afinal, nada é acaso e tudo é preparação. Se estas pessoas te modificam, elas merecem teu até breve. É uma questão existencial, torna o mundo melhor, mais agradável, e se teu sorriso e palavra forem bálsamo, não os guarde. Guarde apenas na coluna de boas lembranças aqueles que te fizeram se tornar melhor, esses, insubstituíveis, dentro do teu peito.

Se não for pra mudar, então cala.

Abraço!

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