Você Sente Saudades? Do quê??
Sexta, 29 de Agosto de 2014

 

Ao Som de Naquela Mesa – Zélia Duncan!

Cheiro de chuva, poeira molhada, de caminhar na grama quando ainda não era relva, do nascer do sol e do poente nos muitos “Lá” que conhecemos no pequeno imenso universo adolescente, da roda de camaradas todos angustiados com tanta energia e com suas asas intactas prontas para pleno voo.. Num repente entre um gole e outro a conversa sobre cosmo, história, física, poesia destas que faz suspirar, olhos úmidos e com o mesmo brilho de agora, para poucos é verdade, outros que ora leem ainda embalavam sonhos em outros ternos braços, mas saudades estão nas esquinas, nos muros que não mais existem, naquilo que podemos sentir bruta transformação e, que aos poucos vamos dando conta, esta mesma que vez por outra dói no teu peito insone e você não consegue divisar de onde saiu.. Brechas do tempo, dos amigos que foram abatidos pela maldita gadanha da senhora de negro, da certeza que o mundo precisava sim de um pequeno retoque, mas que daquele modo já estava bom, nada demais, coisa mesmo de existir mais museus, bares e cinemas, tudo em telas imensas de tecido, como canvas que poderiam guardar pinceladas ou cenas imaginadas por gênios, isso sinto saudade, de rever o prado, ver Guernica em imensa parede e perceber que já na época Pablo cantava a seu modo a falta da Paloma com o ramo de oliveira, ou decidir de que lado poderia notar o sorriso indefectível que Leonardo Pintou e que hoje blindado descansa na Paris que deve ter saudade do Brasileiro que deu asas ao mundo.. Reparei que a palavra Saudade nasceu por aqui, nos trópicos, entre as laranjeiras e seus lindos pássaros, esta palavra já cantada de tantas formas e que não se explica em nenhum outro idioma, pelo menos não com um sentimento que é genuinamente e brasileiramente lindo. Os ideais juvenis que hoje fazem gente da curva suspirar, são os mesmos, pintados de outra forma, não tanto em papel, mas na folha eletrônica que circula daqui pra lá, volta ali e retorna pra acolá, com bailar semelhante ao das folhas que no outono caem, fazendo música com o vento, eterno companheiro.. E lá na esquina do tempo já raia novamente o astro-rei e com brilho retornam as flores, como as orquídeas deixadas assim ao lado, para lembrar que o caminho não foi em vão, e que as pegadas servem para marcar rota.. Quando sentir saudades, tenha certeza que alguém, que por aqui passou, deixou.. Pegadas eternas! 

Saúde e Sorte, para quem faz.. A diferença! Salve! Ubuntu!

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