Quando Tudo o mais desmorona..
Sexta, 17 de Outubro de 2014

Ao Som de Cocteau Twins- Foxes in Midsummer Fires

Toca o fone, como sonido distante e agudo, cortando o silêncio e chamando uma atenção ao urgente.. Atender ou não? Uma das perguntas mais atuais neste momento do mundo, no cristal a sua frente um código, que representa algo, um conjunto de imagens, sons e cheiros que não ao menos corrompidos pela escassa memória, te lembra algo, por vezes prazeroso e de outro doloroso, senhor do teu destino, atendes, do outro lado da praça alguém olhando na tua direção fala algo, que pode tanto te alegrar ou dilacerar, num misto de sentimento pesado demais para levar em frente, segue o instinto e desliga o fone, do outro lado da linha, ou desejável seria no pacífico a milhares de léguas.. Voz mais alta e um início da discussão interminável, silêncio, restabelece a paz, ao menos momentaneamente, já que depois de um tempo, volta à carga.. Lê o número novamente.. E, desliga o fone como se tivesse entrando em recinto, num invólucro que não admite contatos estranhos, apenas a voz, quando muito dos presentes, ou dos andantes, como objetos inanimados, que nem ao menos bafejam, e que a respiração está tão lenta como sono profundo.. Abre a porta alta, deve ter uns três ou mais metros, adornada de símbolos e com muitos significados, lembra da tua infância, quando andava silente pelos corredores até sentar no banco, faz o sinal de batismo de forma automática, se ajoelha um instante e Ora, faz uma prece pedindo leveza para os ombros cansados, clareza de pensamentos, uma bússola talvez que indique não apenas o Norte magnético, procuras algo, o cheiro de vela e incenso ainda permanece no local, mas não há naquele instante grande plateia, uns poucos, não mais de cinco ou seis, repara na luz que entra pelos vitrais, parece um filtro, cores difusas, deixam o ambiente iluminado com uma cor de calma e o silêncio chama a atenção, senta no banco duro, mas nesta altura isso é o que menos importa, e inicia uma conversa mental, lembra da infância, de como foi ensinado, lembra das confissões, dos relatos de pecados bobos, mas que mostraram a forma como se comportar dentro daquela capela.. Lembra do tempo e da época, das flores nas árvores, no vento que levava chapéus, mas também era bom para as pandorgas, aos poucos sereno, começa a descobrir que todo o teu anseio se baseia em outras coisas, que ao menos naquele instante não é o que importa e interessa.. Vem a tua lembrança os amigos que se foram das pessoas queridas já não mais neste plano, que dúvidas elas tinham? Alguma mais próxima já tinha adivinhado conversado com eles, trocado.. A Paz retorna, o caminho está aberto, já sabes que o caminho está ali e tens que andar com tuas próprias pernas, lembra de um salmo, poderoso, procura no Livro da Lei à sua frente, Lê com calma, e ao Fechar o Livro da Lei, faz novamente teu sinal de Batismo, levanta, reverencia e sai pela porta lateral, depois daquela hora, nenhum terrível demônio ou Serpente do meio dia irá te tirar a paz..

“Não foram Dez os Curados?”

Saúde e Sorte! Para os Bons..

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