O Circuito da Gávea
Sexta, 12 de Dezembro de 2014

O circuito de rua Niemeyer-Gávea, no Rio de Janeiro, em seu traçado original, percorria cerca de 11 km, com dezenas de curvas e diversos tipos de piso, como asfalto, cimento, paralelepípedo e areia. O circuito era considerado altamente perigoso, e por isso recebeu o apelido de “o trampolim do diabo”. 

A dificuldade do circuito, que exigia grande perícia dos pilotos, aliada à beleza da paisagem, contribuíam para sua fama. A subida pelo atual Parque da Cidade, com curvas de grande periculosidade, somada ao traçado da Avenida Niemeyer, faziam desta prova um verdadeiro desafio. No entanto, o próprio circuito da prova destacava as belezas da cidade, que se mostrava assim como um possível destino turístico internacional, sendo esse um dos principais argumentos utilizado por Lourival Fontes (ministro da propaganda do presidente Getúlio Vargas) para o financiamento público da prova.

Em seus três primeiros anos, o circuito recebeu somente pilotos brasileiros. A partir de 1936, pilotos europeus passaram a frequentar as ruas cariocas. 

O Circuito da Gávea, além de ser uma grande oportunidade de se exaltar o sentimento nacional, era também uma demonstração pública da capacidade do Estado em organizar uma prova internacional de um dos esportes que melhor representava a modernidade, o automobilismo.

A organização do evento, feita pelo Automóvel Clube Brasileiro, contava com auxílio do governo. O Departamento de Imprensa e Propaganda abriu crédito de 150 contos de réis como auxilio ao Automóvel Clube.

As palavras abaixo foram rabiscadas por Getúlio Vargas em seu diário pessoal, após assistir ao Grande Prêmio de Automobilismo do Rio de Janeiro, em sua segunda edição, e mostram que o futebol não foi o único espetáculo esportivo utilizado pelo governo de Vargas como meio de propaganda nacional. 

 

O dia 3 do corrente, aniversário da Revolução, não teve qualquer festividade. Parece até que passou esquecido. Observei-o com amargura. Apenas, nesse dia, tivemos a corrida de automóveis. Foi um espetáculo empolgante: grande multidão, pista difícil, corrida arriscada, alguns acidentes, vários que desistiram da prova em meio.  Por fim, venceu um brasileiro. Como é forte o sentimento nacional! (…) Junto a mim estavam o embaixador argentino e algumas senhoras.  Guardando a atitude de compostura exterior, eu imediatamente sentia-me comovido, com receio até de que me saltassem lágrimas se vencesse um estranho. E eu mesmo me analisava, tomado daquela emoção estranha que procurava reprimir.

Getúlio Vargas. Diário. v.1. Rio de Janeiro: FGV, 1995, p. 331.

 

Abraço e até a próxima!

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