Desafiando os Limites
Sexta, 20 de Março de 2015

Já estive falando sobre o filme “Desafiando os Limites” aqui nessa coluna, mas hoje, volto com o assunto, com algo inédito, e que me chamou muito a atenção. Em 26 de agosto de 1967, o já famoso motociclista Burt Munro vai até as planícies de sal de Bonneville com sua moto Indian e estabelece um recorde mundial de velocidade para motos abaixo das 1.000 cilindradas. Este recorde foi a velocidade de 295,453 km/h que permaneceu em pé até pouco tempo.
A história de Burt começou cedo, pois comprou sua primeira moto aos 15 anos. Em 1920 ele foi até uma loja que importava motos dos EUA e ficou encantado por uma Indian Scout, seu motor V-twin de 606 cm³ e sua pintura vermelha, e a levou para casa. A Scout, considerada a segunda moto mais importante da história da Indian, havia acabado de ser lançada, e a moto de Burt era a 627ª a sair da linha de montagem nos EUA.
Mas Burt era um entusiasta e, em 1926, começou a modificar sua Scout para torná-la mais rápida do que os 89 km/h declarados pela Indian como sua velocidade máxima. Ele era vendedor de motos, trabalhava muito e não ganhava tanto, o que o forçou a adotar um modo de modificação pouco ortodoxo. Burt improvisava ferramentas e componentes com metal que iria para o lixo e, muitas vezes, chegava do trabalho à noite, ia para a garagem “fuçar” na moto e passava a madrugada toda, voltando para o trabalho no outro dia sem dormir. Ele fabricava carenagens, bielas e pistões, e chegou até mesmo a projetar cabeçotes com comandos de válvulas duplos sozinho.
Tempo atrás, o filho de Burt, John Munro, notou um erro de cálculo nos registros oficiais da AMA (American Motorcyclist Association), organizadora das medições dos recordes de velocidade. John conta que os oficiais da AMA não usavam calculadoras na época, o que fez ele olhar para o certificado oficial emitido pela organização e pensar que não estava certo. Então fez as contas e chegou à média de 296,259 km/h, quase 1 km/h a mais que a medição oficial.
O filho de Burt conta que ligou para a AMA, falou com a pessoa responsável, e o responderam: “bem, a gente não comete erros”. Então John mandou para ele uma cópia do certificado original, solicitando para reverem, e tempo depois recebeu uma resposta com a seguinte frese: “Isto” é um novo certificado da AMA, com o novo recorde de velocidade de Burt Munro, que morreu há 36 anos, e finalmente pode descansar em paz, onde quer que esteja. E onde hoje ficou registrada a marca dos 296,259 km/h.

Abraço e até a próxima!

Comentários