Os Simca Abarth ganhavam tudo
Sexta, 10 de Abril de 2015

A Simca era uma montadora francesa, fundada em 1935 e que inicialmente produzia carros da Fiat na França. Eventualmente projetava seus próprios carros, chegando inclusive a patrocinar a equipe Gordini no início do Campeonato Mundial de Fórmula 1, que recebeu o nome de Simca Gordini. Nos anos 50, a montadora comprou a Ford France e passou a ser uma das fábricas de automóveis do Brasil, o que na realidade foi um dos trunfos de JK, visto que a maioria das montadoras já tinha uma presença no país, e aqui montou pouco mais de 5º mil carros.

Inicialmente, os Simca eram quase completamente importados, mas pouco a pouco foram nacionalizados. Certamente incentivados pelas grandes vitórias do FNM JK nas corridas brasileiras de longa distância, a partir de 60, a Simca resolveu estabelecer seu próprio departamento de competições.

Apesar do motor V8, o Simca de rua tinha um motor fraco, situação que só foi remediada com o lançamento do motor Emi-Sul, anos mais tarde, que atingiam 140 cavalos, já não tão fraco para um carro daquele porte e peso.

Se tratando das competições, a Simca tinha uma “pedra no sapato”, que eram as Berlinettas da Equipe Willians. Então, em 1963, o engenheiro Pasteur, chefe da Simca do Brasil, resolveu importar três Simca Abarth de dois litros, carros de última geração e que ganhavam muitas corridas na Europa. E não foi diferente no Brasil. Logo na estreia, nas 3 Horas de Interlagos de 1964, Jayme Silva ganhou com facilidade, apesar de largar em último.

Os Simca Abarth ganhavam tudo, provas curtas, longas, em pistas de rua, autódromos, em estradas. Na sua despedida, entretanto, o Simca Abarth perdeu para uma Ferrari. Foi na pista da Tijuca, em 1965, quando Jaime Silva abandonou a prova, deixando o caminho livre para Camilo Cristofaro.  Os carros foram devolvidos para a Abarth e, segundo consta, jogados no mar por não terem a documentação correta para entrar na Itália. 

Alguns podem criticar a Simca por ter trazido os Abarth, afinal de contas, o motor Simca usado não era o fabricado no Brasil. Nem tampouco era o motor 1,3 das Berlinettas. Portanto, não foi a Simca que recorreu a armas européias primeiro. O Simca Abarth representou uma fase interessante no automobilismo brasileiro, pois levou inclusive a Vemag a criar algo mais potente dos que as suas singelas Belcar de corrida, o GT Malzoni. Inspirou a Willys a fazer o protótipo Bino, dentre outras equipes de competições, que tiveram que corres atrás do prejuízo causado pelos potentes motores da Simca.

Abraço e até a próxima!

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