A primeira corrida no Brasil
Sexta, 30 de Outubro de 2015

“Era uma vez” quinze carros, belos e delicados, sendo eles: Renault, Fiat, Lorraine-Dietrich e Lion-Peugeot, que estavam alinhados em frente ao Parque Antártica, na zona oeste de São Paulo, prontos para largar em direção à história. Os pilotos, ansiosos por correr setenta e cinco quilômetros de um percurso que ia até Itapecerica da Serra e voltava ao ponto de largada, eram aclamados pela multidão de dez mil pessoas como verdadeiros heróis. Era o dia 26 de julho de 1908, data da primeira corrida de automóveis no Brasil e também na América do Sul.

O vencedor daquela prova histórica foi Sylvio Álvares Penteado, filho de uma rica família rural paulista, que com seu Fiat de 40 cavalos e motor de quatro cilindros cobriu o trajeto em 1 hora e 30 minutos, a uma velocidade média de cinquenta quilômetros por hora.

Apenas após um intervalo de oito anos é que os carros voltariam a zunir pelas estradas paulistas. Em 19l6, um grupo de desbravadores pilotos enfrentou, com coragem, o longo e difícil percurso entre São Paulo e Ribeirão Preto, na segunda corrida realizada no Brasil.

Mas o automobilismo esportivo brasileiro custou a ganhar velocidade. Foi apenas na década de 1930 que o ronco dos motores e a habilidade dos pilotos se transformaram em atração popular. Em 1933, a inauguração do Trampolim do Diabo (Circuito da Gávea), um circuito de onze quilômetros e cheio de curvas perigosas, colocou o país no calendário do automobilismo internacional.

Em seus vinte e um anos de existência, com algumas interrupções, o Circuito da Gávea abrigou treze corridas, muitos nomes, marcas e lendas que entraram para a história real do automobilismo esportivo do Brasil. Quando acabaram-se as disputas no Trampolim do Diabo, as atenções já estavam, de certa forma, voltadas para São Paulo, mais especialmente para um lugar distante quarenta quilômetros do centro da cidade.

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